A primeira exposição antológica da artista plástica Joana Vasconcelos, com um conjunto de 37 peças criadas pela artista
plástica nos últimos 15 anos, é hoje inaugurada no Museu Colecção Berardo, em Lisboa.
O corpo tentacular da peça
«Contaminação«, com cerca de 15 metros, é um dos que se destacam, pelas cores e pela imensidão, entre as obras, na sua maioria
de grandes dimensões, que a artista, de 38 anos, apresenta, pela primeira vez na sua totalidade.
«Sem Rede», assim
se chama a exposição, porque - como salientou, em declarações à agência Lusa - «não tem crochés» - vai ocupar os pisos -1,
zero e também o exterior do museu, no Jardim das Oliveiras.
«Contaminação» foi mostrada na Pinacoteca de São Paulo
em 2008, mas não na sua totalidade, e uma nova peça, intitulada «Senhor Vinho», um garrafão em ferro forjado com cinco metros
de altura, inédito, e é a criação mais recente, para o mercado de Torres Vedras.
«Foi um trabalho de um ano para
escolher - com o comissário, Miguel Amado, e o director do museu, Jean-François Chougnet - as peças que se adequassem ao espaço
e que fizessem um discurso coerente», explicou a artista nascida em Paris, mas que reside e tem atelier em Lisboa.
A
ideia não foi mostrar toda a produção, mas as mais importantes e que ilustrassem as diversas áreas do trabalho de Joana Vasconcelos,
mais conhecida do público pelos trabalhos em croché.
Joana Vasconcelos tornou-se mais conhecida do público português
depois da participação, em 2005, na Bienal Internacional de Arte de Veneza, onde apresentou «A Noiva», um lustre feito com
vinte mil tampões higiénicos femininos escolhido como peça principal daquela exposição.
Desde então, as obras - que
resultam muitas vezes da apropriação e subversão de objetos do quotidiano como talheres, meias, espanadores, comprimidos -
têm sido apresentadas em exposições na Europa, América Latina e Estados Unidos.
Recentemente, dois sapatos gigantescos
criados com os tradicionais tachos portugueses - símbolo da conjugação do glamour e da vida doméstica feminina - foram vendidos
em Londres num leilão da Christie¿s por mais de 500 mil euros.
Peças emblemáticas da carreira como o núcleo «Coração
Independente» (2004-2006), «Jardim do Éden (Labirinto)» (2010), «Flores do Meu Desejo» (1996), «Sofá Aspirina» (1997) «Cama
Valium» (1998), «Ponto de Encontro» (2000), «O Mundo a Seus Pés» (2001) e «Burka» (2002), fazem parte da exposição patente
no Museu Colecção Berardo até ao dia 18 de Maio.
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Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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