O empresário português Francisco Alves, em greve de fome desde domingo por receio que lhe seja confiscada uma propriedade,
apelou hoje ao Presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que reveja o seu caso e voltou a pedir ajuda ao Governo português.
«Penso
que seria o momento preciso para que o Presidente Hugo Chávez trate de rever a sua política de reforma agrária, se é que deste
terreno se pode falar de reforma agrária, porque isto é uma zona industrial», disse.
Em declarações à Agência Lusa,
o empresário português explicou que «o Governo (venezuelano) pode reconsiderar, pode revogar esta medida» e que «deveria tratar
de evitar este tipo de situações que são conflituosas, que fomentam o ódio e a discórdia».
«Eu apelo para que ele
reveja o meu caso e que se tomem as medidas de correção necessárias», frisou.
Interrogado sobre a interpretação que
poderia dar-se ao seu protesto dada a proximidade das eleições legislativas de 26 de setembro, garantiu não ter qualquer intenção
política.
«Eu não tenho nada que ver com a política, eu não sou um político, sou um pessoa de trabalho, eu não tenho
nada que ver com a política», disse.
Francisco Alves espera «solidariedade» da comunidade portuguesa radicada na
Venezuela e volta a apelar a Portugal para que intervenha junto dos seus homólogos venezuelanos para que os seus direitos
constitucionais sejam respeitados.
«Que o Presidente da República de Portugal (Aníbal Cavaco Silva) e o nosso primeiro
ministro José Sócrates, dadas as boas relações que têm com o Governo venezuelano, considerem a possibilidade de intervir eles
diretamente neste assunto», apelou.
A ingerir apenas líquidos e acorrentado a um dos ferros do portão onde funcionava
a Sociedade Metalúrgica Civil Somecil, em Mozanga, San Diego, Valência, a 200 quilómetros de Caracas, recorda com amargura
que desde há quatro meses as suas propriedades têm sido alvo de várias invasões e as desconcertantes respostas do Instituto
Nacional de Terras (Inti).
«Queriam fazer-me assinar a notificação de um ofício de recuperação desta terra, de parte
do Inti. Isto é uma terra privada que tem 176 anos de tradição legal. Há uma cadeia de titularidade desta terra bem documentada
que nós temos e, por isso, não se justifica essa medida que estão a tomar contra a minha propriedade», disse.
Face
a esta posição, o empresário português lamenta a resposta que obteve do Inti: «disseram-me que podiam passar até por cima
do meu cadáver».
«A partir desse momento, eu considero que estão totalmente violados os meus direitos constitucionais
(¿) Eu estarei aqui até que tenha alguma resposta positiva de parte do Governo venezuelano», assegurou.
Natural de
Vila Franca de Xira e emigrado na Venezuela há 26 anos, Francisco Alves Félix dedica-se à atividade metalúrgica e instalações
industriais.
Desde segunda feira que está a receber visitas diárias do novo cônsul geral de Portugal na localidade,
António Chrystêllo Tavares.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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Último comentário
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1fernando santos
ler todos os comentários »2010-09-07 18:36h
greve de fome
aqui esta uma boa noticia para os portugueses votem comunista e terao terras para plantar as sementes para nascerem mais comunistas, para que o futuro de portugal seja mais risonho viva a reforma agraria malditos sejam os ignorantes
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