Nacional
Calma e em paz, Bárbara Guimarães vai recorrer da decisão do tribunal
Bárbara Guimarães - Tribunal 31.10.17 Foto: Tiago Frazão/Lux
Nair Coelho em 27 de Dezembro de 2017 às 09:00

Em outubro, Manuel Maria Carrilho foi condenado a quatro anos e seis meses pelos crimes de violência doméstica, agressão e injúrias contra a ex-mulher, após a separação.

Um mês e meio depois, no final de um outro processo, em que Bárbara Guimarães acusava o antigo ministro também de a agredir fisicamente mas desta vez durante o casamento, a juíza Joana Ferrer Antunes absolveu Carrilho por falta de provas.

Uma decisão que causou surpresa e consternação a muitos que acompanharam o caso, sobretudo pela forma como a absolvição de Carrilho foi justificada. Não tardou para que, nas redes sociais, várias figuras públicas se insurgissem contra a sentença.

O estilista Nuno Baltazar, amigo de Bárbara, teve uma das reações mais acesas: ”Esse porco fez muito mais do que bater. Destruiu-a. Muito pior do que a violência física foi certamente a emocional, a chantagem e a humilhação. A Bárbara há de recuperar de tudo isto.” 

Num tom irónico, Jorge Corrula escreveu: “Homens que batem em mulheres podem continuar, é o que diz a justiça portuguesa.”

Por sua vez, Leonor Poeiras revelou estar “profundamente chocada” e deixou um apelo a todas as mulheres que são vítimas de violência doméstica: “Que esta notícia não retire a coragem às mulheres que estão a passar pelo mesmo. Falem! Denunciem e recolham provas! Fotografem, filmem, gravem conversas, peçam ajuda… mesmo que não tenham forças nem esperança. Parece que só assim se conseguirá punir o nojo de homens que batem e abusam das suas próprias mulheres. Surreal esta sentença. Que vergonha da justiça portuguesa!” Uma justiça que, para muitos, ficou aquém do que se esperava, sobretudo num caso mediático como este, que esperavam servisse de exemplo a todos os crimes de violência doméstica cometidos em Portugal, que em 2016 fez mais de 32 mil vítimas.

Na leitura do acórdão, no Campus da Justiça, Joana Ferrer Antunes – que, acusada de admirar o réu, chegou mesmo a ser alvo de dois pedidos de afastamento por parte do advogado de Bárbara – referiu “a ausência de uma prova pericial consistente” e desvalorizou as fotografias apresentadas por não terem “valor forense”.

Para além da falta de provas invocada para a absolvição, a juíza defendeu a sua decisão alegando também que “uma mulher determinada e senhora da sua vontade”, como Bárbara, “‘casa’ mal com qualquer tipo de inibição, no caso de efetivamente se encontrar numa situação de perigo a que tivesse de reagir”. E continua no acórdão, referindo que nada justifica que, sendo “independente e autossuficiente em termos financeiros”, a apresentadora “ficasse passivamente à espera de outros eventuais atos tresloucados da mesma natureza, e não tomasse imediatamente medidas para se proteger, a si e, desde logo e acima de tudo, aos seus filhos”.

Os filhos – Dinis, de 13 anos, e Carlota, de 7 – que, segundo Joana Ferrer Antunes, estiveram no “epicentro” da batalha entre Carrilho e Bárbara e que “sofrem as consequências do furacão que atingiu a sua família”.

No final da leitura da sentença, na qual Bárbara não esteve presente, Carrilho não escondeu estar “aliviado” e “feliz” por ter chegado ao fim “um verdadeiro calvário de quatro anos”, e voltou a dizer que Bárbara Guimarães é “uma falsa vítima”.

Por sua vez, o advogado da apresentadora mostrou-se “chocado” e voltou a referir que “a juíza manifestou um preconceito absolutamente inaceitável”. A Lux tentou obter uma reação por parte de Bárbara Guimarães, mas o seu agente, João Vieira, disse que a apresentadora “vai recorrer”, porém, vai “continuar em silêncio”. E remata: “A Bárbara está calma e em paz, focada no Natal em família e sobretudo nos filhos.”

Manuel Maria Carrilho era acusado de 22 crimes de difamação, sendo que o Tribunal de Lisboa apenas o condenou por insinuar publicamente o alegado alcoolismo da ex-mulher. Ainda que esta difamação tenha sido comprovada, 
a juíza atenua a culpa do antigo ministro, declarando que, devido à degradação da relação, que se tornou evidente ainda antes do divórcio, Carrilho tinha “as suas faculdades intelectuais e de discernimento necessariamente toldadas” e que, por isso, “agiu numa situação de culpa diminuída”.

Pelo crime, o antigo ministro terá de pagar uma multa de €900 e uma indemnização de €3000 à ex-mulher, por danos morais.

No final, Joana Ferrer não deixou de fazer referência ao problema de alcoolismo que Carrilho sempre atribuiu à ex-mulher. “Este tribunal alerta: a existir, efetivamente, um problema instalado, e antes que ocorram danos irreparáveis para os próprios e terceiros inocentes, cumprirá, reconhecê-lo com objetividade, enfrentá-lo com medidas de apoio e solucioná-lo.” 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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