Nacional
Conselho de Administração do Teatro D. Maria II demite-se
Diogo Infante (Lux)
Redação Lux em 21 de Novembro de 2011 às 20:43
O conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II (TNDMII) apresentou, esta segunda-feira, a demissão e informou as tutelas de que, se necessário, se manterá em gestão corrente até 30 de novembro.

«No seguimento da recente não recondução do diretor artístico do TNDMII e em total solidariedade com a sua posição, os membros do conselho de administração deste Teatro Nacional formalizaram a sua renúncia ao cargo», lê-se em comunicado enviado à agência Lusa.

Desde 2008 diretor artístico do TNDMII, Diogo Infante foi na semana passada afastado pelo secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, horas depois de ter anunciado em comunicado a suspensão da programação do D. Maria II para 2012, devido aos cortes no financiamento daquele teatro decididos pelo Governo.

Reiterando os argumentos apresentados por Infante nesse documento, o conselho de administração afirma: «Lamentamos que se tenham gorado as insistentes tentativas, reforçadas no último mês, no sentido de alertar as tutelas e, em particular, o senhor secretário de Estado da Cultura, para a inviabilidade da gestão deste Teatro Nacional com o financiamento que lhe é atribuído no OE para 2011 e 2012, e de solicitar uma reapreciação da razão que justificou a atribuição desse financiamento, que foi tornada pública, mas carece de comprovação».

«Recordamos que as contas do TNDMII não apresentavam qualquer deficit até ao final do terceiro trimestre de 2011 e que também os exercícios em 2009 e 2010 tiveram resultados positivos (contrapondo a resultados negativos na ordem de um milhão de euros em 2006, 2007 e 2008)».

Segundo a administração demissionária do TNDMII, em 2010, «a taxa média de ocupação das suas duas salas foi de 70 por cento, o teatro teve mais de 73 mil espectadores (excluindo os projetos em digressão), tendo realizado inúmeros espetáculos e iniciativas, em produção própria, co-produção ou parceria».

No documento, assinado pela presidente do conselho de administração cessante, Maria João Brilhante, e pela administradora Mónica Almeida, faz-se ainda um desmentido que «se impõe»: «A Administração do TNDM II não "recusou deliberadamente", como surgiu escrito nos órgãos de comunicação social, fazer um corte de 15 por cento nos custos fixos de 2011».

«Felizmente, e para o bom nome desta administração, está patente no reporte feito trimestralmente no SIRIEF - Sistema de Recolha de Informação Económica e Financeira (e desde que a troika fiscaliza as contas públicas, mensalmente), que o TNDMII fez um corte de 14,4 por cento nos custos fixos operacionais desde 2009, tendo demonstrado à Direção-Geral do Tesouro e Finanças, em documento detalhado e muitíssimo esclarecedor, que atingira o limite de redução de custos com a sua estrutura, e que tinha recebido orientação do Ministério da Cultura para não efetuar mais cortes na atividade artística», sublinha-se no texto.

«Disponibilizámo-nos para discutir, com as tutelas, possíveis soluções no atual quadro de austeridade, sabendo de antemão que a garantia de uma medida de exceção passaria essencialmente por uma opção política. Verificamos agora que essa opção política foi tomada no sentido de penalizar uma gestão equilibrada e comprometer o futuro da atividade do Teatro Nacional D. Maria II», declara o conselho de administração demissionário.

Fonte: Lusa
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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