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Carrilho: "Não me lembro de ter uma discussão com a Bárbara que não fosse  sobre o álcool”
Manuel Maria Carrilho - Processo Manuel Maria Carrilho/Bárbara Guimarães Foto: Tiago Frazão/Lux
Vasco Pereira em 24 de Fevereiro de 2017 às 08:00

"Se houve excesso de minha parte foi de devoção doméstica e não de violência doméstica”. Na sua segunda intervenção, no julgamento em que é acusado por Bárbara Guimarães de violência doméstica, Manuel Maria Carrilho voltou a negar as acusações e a afirmar que foi sempre por causa do álcool que teve problemas com a ex-mulher. “

As reações da Bárbara eram cada vez mais agressivas, berrava… Não me lembro de ter uma discussão com a Bárbara que não fosse sobre o álcool”, disse o professor catedrático, afirmando também que “a Bárbara é uma vedeta que não suporta ser contrariada em nada”.

Como referiu em tribunal, Manuel Maria Carrilho acredita que a razão da alegada ingestão de bebidas alcoólicas por parte da apresentadora se devia à falta de projetos profissionais: “Há uma coisa que pode ter importância, que é o facto de, no ano de 2013, a Bárbara não ter tido trabalho. Acho que a Bárbara passou mal esse ano e passou à procura de saídas para a vida. Tentou várias coisas. Tentou ser diretora da Activa, mas o Francisco Pinto Balsemão escolheu a Sofia Carvalho, tentou ser diretora do canal da Caras, tentava sistematicamente programas… Eu próprio a ajudei a escrever mensagens para o dr. Balsemão.”

Na mesma audiência, respondendo a questões do Ministério Público, o ex-ministro da Cultura referiu ainda que Bárbara Guimarães tomava vários comprimidos, por influência de terceiros:

“A Bárbara é uma pessoa muito esponja, segue conselhos aleatoriamente, e a certa altura tomava comprimidos para tudo e mais alguma coisa.”

Neste seguimento, aproveitou para revelar que a ex-mulher também procurava respostas nas ciências do oculto: “Também ia às bruxas. A certa altura, a Bárbara tinha ido fazer uma consulta a Cascais, a qual garantia que ela ia ser primeira-dama. Sempre consultou muitas videntes.”

Se durante a manhã a sessão decorreu com tranquilidade, já durante o interrogatório do advogado de Bárbara Guimarães, Pedro Reis, os ânimos exaltaram-se.

Recordando a assinatura do seu divórcio, Manuel Maria Carrilho exclamou:

“Assinei o acordo de divórcio sob coação psicológica, completamente desorientado, com um peso que chegou aos 56 quilos. Tive que receber apoio psicológico. Assinei um acordo para ver os meus filhos”, disse o antigo político, atirando ainda que a ex-mulher lhe deu “um belo golpe do baú”: “É por isso que eu a chamo ladra. Chamei, chamo e chamarei! Até me serem devolvidos os meus bens.”

Além do processo de violência doméstica, o ex-casal enfrenta-se noutro, no qual o professor é acusado dos crimes de violência, difamação, injúria e ameaça.

Na última sessão de julgamento, foi ouvido Rodrigo Guedes de Carvalho, que se mostrou ao lado da apresentadora da SIC.

“Creio firmemente na versão da Bárbara. É muito difícil que a história fosse exatamente ao contrário e que fosse capaz de um ato desses com os filhos [referindo-se à acusação, de Manuel Maria Carrilho, de ter abandonado os filhos]. Conheço a Bárbara literalmente desde o dia em que nasceu. Não tem nada a ver com a menina que conheci, risonha, cheia de esperança. É muito nova para estar tão destruída. Admiro como ainda consegue andar e falar normalmente”, disse o jornalista.

Rodrigo Guedes de Carvalho recordou ainda a decisão de Bárbara em acusar o ex-marido, uma ação que apoiou: 

“A Bárbara conversou comigo antes de avançar com a queixa de violência doméstica. Ela tinha muitas dúvidas em tornar público o seu caso, pelos efeitos nefastos, dolorosos e devastadores da queixa para a sua carreira. A dada altura achei que a causa judicial contra a violência doméstica era maior, e mais relevante, do que os seus efeitos”.

Na mesma audiência foi ainda ouvida Inês Mendes da Silva, gestora da carreira de Bárbara Guimarães desde abril de 2014, que falou sobre os contratos de publicidade que a apresentadora veio a perder na sequência do processo contra Manuel Maria Carrilho:

“Assisti à não renovação do contrato com uma marca. Abordei a diretora de marketing e acabou por não renovar.”

A agente lembrou que lhe foi dito, “não diretamente”, que não renovavam o contrato “por causa do processo”.

Explicou ainda que notava “insegurança e dúvidas do lado dos clientes” em contratar a sua agenciada: “Não sentiam confiança no nome Bárbara Guimarães.”

Na mesma sessão, a amiga da apresentadora Paula Paiva Martins mostrou-se “muito preocupada” com Bárbara:

“Ela está triste mas mantém um discernimento e uma capacidade de prosseguir, pelos filhos, que são a sua maior preocupação.”

Ainda no mesmo dia, Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães voltaram a encontrar-se num outro processo, no qual o ex-ministro é acusado pelos pais da apresentadora.

Nessa audiência, Bárbara referiu que a sua mãe, Isabel Amorim dos Santos, sofre de problemas de saúde, consequência de todo este processo:

“Ficou muito chocada com tudo nisto. Teve uns picos de tensão – sempre teve de ter a tensão controlada – não se estava a sentir bem... Passou a estar acompanhada pelo cardiologista António Trigo Pereira. Falei com o médico e o estado dela não é dos melhores”, disse.

Na mesma semana, paralelamente ao decorrer de todos os processos, Manuel Maria Carrilho deparou-se ainda com notícias que revelavam que tinha sido obrigado a recorrer ao psiquiatra e diagnosticado com problemas de irritabilidade e agressividade. Segundo as mesmas, o antigo ministro foi medicado com fármacos para combater a agressividade, um tratamento que durou vários meses.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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