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Nacional
Em tribunal, António Casinhas assume que traiu Cristina Ferreira
Cristina Ferreira e António Casinhas Fotos: Arquivo Lux
Evelise Moutinho em 11 de Junho de 2015 às 09:00
O nível baixou de tal forma na sala de audiências que o juiz não resistiu a desabafar perante o tribunal: “Isto é tudo uma ordinarice.” O enredo relatado ao pormenor por arguido e queixosa envolve Cristina Ferreira, a maior estrela da estação deQueluz de Baixo, o seu ex-companheiro e pai do seu filho, António Casinhas, e a amante/namorada deste, Alexandra Roque. Foi esta última que, em dezembro de 2013, decidiu tornar a história pública ao apresentar uma queixa no Tribunal de Oeiras contra António Casinhas pelo crime de violência doméstica e rebaixamento de dignidade e autoestima.

Foi com visível estupefação que o tribunal ouviu o relato de uma história que remonta a agosto de 2009. Na altura, Cristina Ferreira era já uma estrela em ascensão na TVI, Tiago, o seu único filho, tinha 1 ano, e a apresentadora mantinha uma relação feliz com António Casinhas. Mas o comerciante de automóveis e antigo jogador de futebol continuava a ser um apreciador da vida noturna. Foi numa dessas saídas, mais precisamente na Discoteca 2001, no Autódromo do Estoril, que António Casinhas conheceu Alexandra Roque. Os dois trocaram números de telefone e  começaram uma relação [segundo ele, dois dias depois do primeiro encontro; segundo ela, só meses mais tarde] que, no dia 3, no Tribunal de Oeiras, o comerciante de carros apelidou de “tóxica”. Uma relação que durou cerca de cinco anos e que desde o início foi pautada pelo desrespeito e pela violência de parte a parte. 

António Casinhas admitiu em tribunal que a ex-companheira, Cristina Ferreira, era a razão de todas as discussões entre o casal. “Numa primeira fase, não assumi a Alexandra. A minha antiga companheira é uma figura pública  e o nosso fim não foi assumido”, explicou Casinhas perante o juiz. O arguido também tinha dúvidas quanto ao futuro da relação: “Tinha uma relação de 15 anos e um filho de quase 2 anos com uma mulher a quem não tenho nada a apontar. Tinha dúvidas sobre se estava a dar o passo certo”, afirmou, referindo-se ao passado da ex-namorada, que, segundo ele, o terá convidado para fazer swing (troca de casais) e terá também, a dada altura, mantido 
uma relação, ao mesmo tempo, com um outro homem. Alexandra Roque, que em tribunal não conteve as lágrimas, alega que só depois de conhecer o arguido é que soube através de uma amiga que ele tinha uma relação e que “apesar de ter saído de casa, o arguido continuava a não estar disponível para estar comigo nas situações em que os namorados deviam estar”, justifica. E durante mais de um ano, António Casinhas manteve uma vida dupla, o que foi aumentando o desespero e a insatisfação de Alexandra: “Normalmente, apresentava argumentos não válidos, que eu não aceitava, e isso era logo motivo de discussão”, afirmou. Discussões que, ao longo de quase cinco anos, se tornaram cada vez mais violentas. O casal vivia permanentemente numa guerra de palavras.

Em tribunal, António Casinhas foi confrontado com o teor de algumas das centenas de sms e e-mails que trocavam: “É isso que queres, pu...? Estás a arranjar-te para o engate. Já deves estar de minissaia vestida, já deves estar com as tuas amigas no engate”, ou “Pu..., vadia, reles, com uma mulher assim não se pode contar nem pensar em família”, são apenas dois dos muitos exemplos. Da acusação também constam agressões, como a que se terá passado numa viagem a Andorra, altura em que o arguido terá mostrado à namorada umas fotos suas numa festa com a ex-companheira, já depois de ter saído de casa. “Fico magoada, desato a chorar (…) Disse-lhe que estava farta de tanta mentira, dos argumentos que ele inventava para estar com a ex-companheira e que eu acabava  por descobrir pela imprensa” (…) Quando tentei sair do quarto porque queria libertar a minha raiva, a minha dor, ele não deixou eprojetou-me para cima da cama”, conta Alexandra Roque, que, em lágrimas, recorda que só depois de o arguido se ter apoderado da sua carteira e dos seus documentos é que a deixou sair do quarto, tendo passado a noite no corredor do hotel. A queixosa também foi confrontada com as suas próprias mensagens igualmente violentas: “Filho da pu..., corno, chulo, vigarista. És uma merda de homem, um atrasado mental, um caso perdido,  o teu filho é doente, a Cristina é uma pu…” Em tribunal, ambos afirmaram que respondiam apenas
depois de serem provocados, que os insultos eram sempre uma resposta a uma provocação. 

A verdade é que entre acabar e reatar passaram-se anos e, mal ou bem, o casal alimentou o sonho de ter um filho, mas Alexandra tinha dificuldade em engravidar. Por isso mesmo, com o apoio do namorado, que chegou a doar  o seu esperma para este fim, procurou ajuda médica e o arguido chegou mesmo a acompanhá-la a uma consulta. Mas, segundo a queixosa, em alturas de crise, até aquele facto servia para Casinhas a humilhar: “Vais viver na merda até ao fim dos teus dias, depois pede aos outros um beijo dos filhos deles. És uma coisa má”, dizia-lhe. No entanto, também se socorria da ideia de terem um filho quando tentava reconciliar-se com Alexandra. Perseguia-a, fazia-lhe esperas à porta de casa, deixava-lhe presentes, entre eles roupa de bebé e uma boneca. Numa das mensagens,  António Casinhas dizia que queria pôr-lhe “uma Mariana nos braços”, revelando que já teriam escolhido o nome do bebé.

Em tribunal, Casinhas confessou grande parte destes atos e mensagens e admitiu também que se tratava de uma relação “doentia, uma coisa de loucos”. Visivelmente agastado, o juiz marcou para o dia 19 a próxima audiência. A Lux, entretanto, confrontou Cristina Ferreira com estas revelações, mas a apresentadora da TVI escusou-se a fazer qualquer comentário. Cristina Ferreira vai ser ouvida na qualidade de testemunha de defesa de António Casinhas numa das próximas sessões deste julgamento. 
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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