O face lift é o único procedimento capaz de promover um rejuvenescimento sustentado, efetivo e global da face e do pescoço
e é obrigatório que haja um bom resultado que se mantenha durante anos; para que isto aconteça, é necessário que o pescoço
seja muito bem operado, a verdadeira arte desta operação, que os sulcos nasogenianos sejam consideravelmente atenuados e que
o ângulo da mandíbula fi que bem definido.
O tempo que passa e a força da gravidade encarregam-se de ir alterando
estruturas da face, seja a sua pele, diminuindo a elasticidade, ou as estruturas internas, músculos, fazendo-os cair e fazendo
diminuir a quantidade de gordura da face.
A indicação cirúrgica para fazer um lift advém destes acontecimentos e
da vontade de um doente. Não há uma idade ideal, há indicação cirúrgica e vontade; não há uma sem a outra.
O resultado
deve ser natural, o doente «não pode parecer operado», pelo que é importante que sejam mantidas as características e os traços
expressivos de cada um. Caras que se veem que foram operadas são maus resultados e fazem as pessoas «parecerem mais velhas».
A
incisão na pele que dá acesso às estruturas profundas da face, que são as que nos interessa alterar na sua posição (músculos
e gordura), inicia-se em cima, na região pré-auricular e prolonga-se dando a volta ao lóbulo da orelha, até ao topo da região
retroauricular.
Uma das coisas que me diferenciam de muitos colegas é o facto de eu colocar a incisão à frente do
tragus. O tragus é uma saliência formada por cartilagem e pele na parte interior da cavidade auricular, uma estrutura muito
raciosa e delicada, a única da face que não envelhece.
A maioria dos cirurgiões plásticos coloca a incisão por detrás
do tragus, na tentativa de esconder uns irrelevantes milímetros de cicatriz, o que invariavelmente destrói aquela saliência,
transformando-a numa linha reta, alterando por completo a morfologia da cavidade auricular. É o facto mais denunciador de
um face lift.
O tempo que demora esta cirurgia, obviamente efetuada sob anestesia geral (para grande conforto de
todos), é de duas horas e trinta minutos, mas quando se associam blefaroplastias (remoção de pele em excesso e gordura das
pálpebras) e/ou um lift frontal, a sua duração é de quatro horas.
Se houver gordura a mais na face, é aspirada. Também
pode ser feito um extraordinário lift do lábio superior, que lhe confere um aumento inteiramente natural.
No face
lift, a pele não é o mais importante. O importante é fazer a mobilização dos músculos da mímica da face e do pescoço, colocando-os
na posição que idealizamos ser aquela que tinham antes do início do processo de envelhecimento. A pele em excesso é simplesmente
removida.
O lift em homens, cada vez mais frequente (na minha prática clínica, 40% de quem se submete a esta cirurgia
são homens), a colocação de incisões e a remoção da pele têm algumas nuances técnicas, para evitar, por exemplo, que os pelos
da barba se prolonguem muito para a região atrás da orelha.
O pós-operatório é indolor. No dia seguinte de manhã,
um capacete de proteção é removido, o doente toma um duche para lavar o cabelo e tem alta. O edema (inchaço) é muito reduzido
e habitualmente não há equimoses, exceto se as pálpebras forem operadas. Enquanto está em casa, o doente usa uma cinta facial,
à noite para dormir, porque a compressão é confortável e ajuda a diminuir o edema pós-operatório.
A remoção de suturas,
se efetuadas exteriormente, faz-se oito a dez dias depois da operação.
Em casa, deve ser feita alimentação mole,
e a condução de automóveis é interdita alguns dias.
Habitualmente, o doente retoma a sua vida profi ssional e social
oito a quinze dias depois da operação, e pode ir à praia sem restrições um mês depois.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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