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Saúde: Computador, stress, ambientes fechados e ausência de sol estão entre as principais causas das alterações na pele
João Martins, especialista em cirurgia plástica, estética e reconstrutiva Foto: Divulgação
Redação Lux em 15 de Junho de 2020 às 19:00

A quarentena deixou a sua pele mais seca e irritada?  por João Martins, especialista em cirurgia plástica, estética e reconstrutiva

Luz do computador, stress, ambientes fechados e ausência de sol estão entre as principais causas das alterações na pele

Episódios de eczema ou psoríase, acne, vermelhidão e manchas são também problemas comuns

Os portugueses já estão a desconfinar, a voltar às rotinas e à vida social e, com isso, a procurar também cuidar mais de si, já que, nos meses de confinamento, os cuidados com a pele foram deixados para trás. Agora, depois de alguns meses em quarentena, é normal que a pele esteja diferente, mais seca, com borbulhas, manchas, vermelhidão e até irritações. Mas como pôde isso acontecer se a pele esteve menos exposta a elementos exteriores?

Apesar de poder pensar-se que o isolamento pudesse funcionar como uma “desintoxicação da pele”, já que a exposição à poluição e ao sol foram menores e o uso de maquilhagem foi inferior, na verdade não o foi, com a nova realidade a trazer fatores igualmente negativos. O cirurgião João Martins, especialista em cirurgia estética, deixa as principais alterações e cuidados a ter:

Secura | Dentro de casa, o ar é mais seco do que no exterior e a situação é ainda agravada com o ar condicionado, deixando a pele ainda mais seca. O facto de, na pandemia, lavarmos as mãos e o rosto com maior frequência também pode causar secura e escamação, rompendo a barreira da pele. Para a hidratar, é recomendado beber muita água, quente ou fria, simples ou aromatizada, evitar banhos demasiado quentes e utilizar um creme com ácido hialurónico e/ou ceramidas.

Pele baça | A desidratação diminui a renovação celular, acumulando células mortas na superfície da pele, deixando-a com menos brilho. É fundamental manter a rotina de limpeza para remover resíduos de suor e toxinas, fazendo uma máscara esfoliante uma a duas vezes por semana. Para promover a regeneração, recomenda-se suplementação com niacinamida (vitamina B3), oral ou em creme, e boas rotinas de sono, pois é durante a noite que ocorre a eliminação de células mortas e a síntese de novo colagénio.

Menos homogeneidade | Em casa, recorremos mais aos écrans, por razões lúdicas ou de trabalho. A luz azul dos écrans, tal como a luz solar, gera radicais livres e a exposição excessiva pode afetar a pele, provocando inflamação e sensibilidade, deixando-a menos homogénea. Mesmo em casa, é importante continuar a aplicar protetor solar e utilizar estes aparelhos no “night mode” ou com o “filtro de luz azul”. 

Acne, borbulhas e outras irritações | Teletrabalho, medo da crise económica, preocupação em acompanhar os filhos e receio de apanhar a doença elevam os níveis de stress, resultando numa alteração do perfil hormonal e aumentando os níveis de cortisol, hormona que agrava a inflamação da pele (levando a eczema, psoríase e acne). Aumenta também o stress oxidativo na pele, tornando-a mais oleosa. É essencial tentar manter rotinas, fazer atividades de relaxamento (meditação e yoga) e exfoliar a pele. Um creme com retinol, à noite, e ácido glicólico também podem ajudar no controlo da oleosidade.

Apesar de podermos, mais tarde, minimizar estes estragos com alguns tratamentos, é importante reagir assim que começam a notar-se alterações, para evitar males maiores e, sobretudo, prevenir. As idas à rua, com o devido distanciamento social, são recomendadas, já que permitem aumentar os níveis de vitamina D através da exposição solar, tão importante para a firmeza e reparação da pele. A par disso, é fundamental manter uma alimentação equilibrada, descanso e atividade física.



João Martins é especialista em cirurgia plástica, estética e reconstrutiva, licenciado pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa. O seu trajeto profissional passa tanto pelo setor público como pelo privado, trabalhando no Hospital Lusíadas Lisboa e na Clínica Lift. No seu trabalho, a par de excelentes resultados, procura o equilíbrio estético, defendendo a naturalidade e individualidade dos seus pacientes. Faz parte da LEAP – Global Mission, banco de médicos internacionais disponíveis para atuar em situações de catástrofe, tendo estado num campo de refugiados sírios, na Jordânia, em 2014.
 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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