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Internacional
Aos 35 anos, Emma Stone conta como gere as crises de ansiedade desde criança
Emma Stone Foto: DR
Redação Lux em 2 de Abril de 2024 às 18:00

A atriz, de 35 anos, que acaba de vencer o Óscar de Melhor Atriz por “Pobres Criaturas”, tinha 7 anos quando teve o seu primeiro ataque de pânico: “Estava na casa de uma amiga e, de repente, estava sentada no quarto dela e fiquei com a profunda certeza de que a casa estava a arder, apesar de todas as evidências em contrário”, conta Emma Stone à estação de rádio npr. A atriz revela que sentiu o peito a apertar e só se acalmou depois de a mãe a ir buscar. Naquele dia, o medo acalmou, mas a ansiedade persegue-a desde então: “Comecei a fazer terapia, acho que por volta dos 8 anos, porque estava a ser muito difícil sair de casa para ir à escola. Tinha muito medo dos ataques de pânico.” Com essa ajuda percebeu que tinha uma enorme ansiedade de separação da mãe. “Acho que isso foi, em grande parte, o que desencadeou tudo. Por alguma razão, convenci-me de que se não estivesse a cuidar dela, algo terrível poderia acontecer. E é uma idade difícil, ser capaz de raciocinar, aos 7 ou 8 anos, e dizer a nós próprios que esses medos não são verdade. Ir para a escola significava que teria de ficar longe da minha mãe durante várias horas e que coisas más lhe poderiam acontecer.”

Apesar da ansiedade, ou talvez por causa dela, a representação chegou à sua vida aos 11 anos. Aos 15, convenceu os pais a mudarem-se do Arizona para Los Angeles, para que pudesse fazer castings, que nem sempre correram bem: “Pode parecer uma aventura sem sentido colocar tudo de nós nessas audições e depois não conseguir, e não conseguir novamente, e não conseguir de novo. Porém, quando isso acontece, tem que se perceber que todos aqueles nãos tiveram algum significado.”

Com o tempo, Stone descobriu que representar era como uma terapia para a sua ansiedade, uma forma de se conseguir manter no presente, sem se preocupar com o passado ou o futuro. “Acho que me liguei à possibilidade de dar vida ao que mais queria com a representação. Ajudou-me em criança, a canalizar a energia, a colocá-la para fora em vez de direcioná-la para dentro. Foi como uma terapia, uma válvula de escape. Estar em palco deixa-me com menos medo de tentar coisas desafiantes e assustadoras”, revelou em entrevista ao “The Talk”.

Hoje, com mais ferramentas para controlar a ansiedade, Emma Stone diz que vê essa sua condição quase como um superpoder: “Podemos usar isso para coisas produtivas, se puder usar esses sentimentos em algo criativo, ou que me apaixone, a ansiedade pode funcionar como combustível e definitivamente melhorou com o passar do tempo. Não sou tão dura comigo”, revela Stone que há anos procura a forma de transformar o problema em algo positivo. “Aprendi que a ansiedade, na sua essência, é medo. E qual é o maior medo? Da morte, não há mais nada a temer. Então, aproveitando o lado positivo disso, existe esta empolgação pela vida. Dizem que a ansiedade é excitação sem fôlego e essa energia pode ser usada para coisas realmente positivas. E essa mudança é minha. Ninguém pode fazer isso por mim. Crescer e perceber isso ajudou. Durante muito tempo, pensei que ser uma pessoa sensível era como uma maldição. As coisas afetam-me profundamente, principalmente quando erro. Não sinto que estou a fazer a coisa certa sempre, mas está tudo bem.”

Com “Pobres Criaturas”, aos olhos dos seus pares, que lhe garantiram o segundo Óscar da carreira, parece ter-se saído bem. Parte da ação do filme, que Emma Stone também produz e onde interpreta Bella, uma mulher que morreu por suicídio e é trazida de volta à vida, decorre numa Lisboa fantasiosa, onde a fadista Carminho canta ao vivo no “set” de filmagens. Na memória da atriz ficaram os 60 pastéis de nata que teve de comer e que designou como a cena mais difícil de filmar.

Emma de nome artístico, Emily para os amigos, tinha já vencido o Óscar pela sua performance no filme musical “La La Land”, e sido nomeada por “Birdman” e a “Favorita”. Ao Óscar deste ano reagiu com surpresa: “Fiquei muito chocada e ainda estou com a cabeça a girar. É uma grande honra e estou muito surpreendida.” No palco fez também questão de verbalizar o amor pela filha Louise, que nasceu em março, fruto da relação com o cineasta Dave McCary, com quem namora desde 2016

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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