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Internacional
Juan Carlos fala sobre peso emocional da morte do irmão: 'Se ele estivesse aqui, a minha vida teria sido menos sombria'
Rei Juan Carlos - Rei Juan Carlos no Dia das Forças Armadas REUTERS
Redação Lux em 6 de Novembro de 2025 às 17:27

Juan Carlos revisita no livro de memórias Reconciliação, que foi esta quinta-feira para as bancas em França e será publicada em espanhol em dezembro, um dos episódios mais dolorosos da sua vida: o acidente que, em 1956, tirou a vida do seu irmão  Alfonso aos 14 anos. Na ocasião, os dois manuseavam uma arma que acreditavam estar descarregada quando um tiro acidental o atingiu fatalmente, fato que deixou marcas profundas no ex-monarca e influenciou sua relação com o pai.

No capítulo intitulado “A Tragédia”, ele explica que pensavam que a arma estava segura, pois o carregador havia sido retirado: "Tínhamos retirado o carregador. Não tínhamos ideia de que havia uma bala na câmara". O disparo acabou sendo fatal: "Um tiro foi disparado para o ar, a bala ricocheteou e atingiu meu irmão em cheio na testa. Ele morreu nos braços do nosso pai."

O antigo monarca confessa que a sua vida mudou para sempre após esse dia: "Há um antes e um depois". Ele admite que ainda convive com a dor diariamente: "Ainda é difícil para mim falar sobre isso, e penso nisso todos os dias... Sinto falta dele; gostaria de tê-lo ao meu lado e conversar com ele." Na época, Juan Carlos, com 18 anos, e Alfonso, com 14, estavam sozinhos no quarto, o que gerou diferentes versões sobre o acidente. Nunca houve inquérito judicial, e surgiram rumores contraditórios sobre como o tiro aconteceu.

Ele também descreve o vazio que ficou após a perda do irmão: "Perdi um amigo, um confidente. Ele me deixou com um vazio imenso. Sem a sua morte, minha vida teria sido menos sombria, menos infeliz."

O pai, desesperado e abalado, chegou a confrontá-lo e a questionar se o tiro tinha sido intencional. Depois do funeral, Juan Carlos foi enviado de volta à academia militar, enquanto a relação com o pai ficou profundamente abalada.

Além de abordar esse trauma, Juan Carlos também utiliza o livro para desmentir rumores antigos, como a suposta relação extraconjugal com a princesa Diana, enfatizando que entre ambos havia apenas respeito e cordialidade e diz que se sente abandonado e incompreendido pelos próprios familiares, inclusive pelo filho, o rei Felipe VI.

Ao longo das memórias, o ex-rei expõe a solidão, a culpa e os conflitos familiares que, segundo ele, acompanharam sua trajetória pública e pessoal, revelando um lado mais íntimo e vulnerável de sua história.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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