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Internacional
Com 35 anos de carreira, Annette Bening recebe a quinta nomeação para um Óscar
Annette Bening Foto: DR
Redação Lux em 9 de Fevereiro de 2024 às 18:00

É uma das atrizes mais talentosas e admiradas de Hollywood e, ao longo de 35 anos de carreira, Annette Bening, de 65, deixou a sua marca em filmes como “The Grifters”, de 1990, “Bugsy” ou “American Beauty”. O talento, a voz profunda e a presença enchem o ecrã e Bening voltou a brilhar no seu mais recente projeto.

No filme biográfico “Nyad”, a atriz veste a pele de Diana Nyad, a mulher que passou anos da sua vida a tentar tornar-se na primeira pessoa a nadar os 110 quilómetros entre Cuba e a Florida sem a ajuda de uma gaiola de tubarões. Por esta performance, Annette Bening foi nomeada para Melhor Atriz para os Globos de Ouro, os SAG e, agora, para os Óscares, a quinta nomeação, sem nunca ter conseguido alcançar a estatueta. “Quando li o guião soube imediatamente que queria fazer aquela personagem e nem pensei muito na parte da natação, pensei mais em toda a narrativa da história, fiquei tão comovida com ela… Depois, quando comecei a aperceber-me das cenas, senti-me um bocado intimidada. Em pequena fazia muito mergulho, trabalhei num barco… Cresci em San Diego 
e a água fez sempre parte da minha vida, mas nunca fui nadadora. No entanto, trabalhei muito e tive de ultrapassar os meus medos e inseguranças. É uma bênção quando temos a oportunidade de fazer algo novo e diferente. Nunca, nem nos meus sonhos mais loucos, imaginei que poderia representar, nos meus sessentas, uma atleta. [risos] E esse desafio era algo para o qual estava preparada. Foi muito trabalhoso, mas não é grande coisa, é esse o nosso trabalho e só temos de fazê-lo”, afirmou em entrevista ao The Hollywood Reporter. Nascida em Topeka, Kansas,

Annette Bening cresceu na Califórnia e sempre soube o que queria da vida. Fez teatro no secundário e frequentou o Conservatório de Teatro Americano, em São Francisco, mudando-se depois para Nova Iorque, onde fez o trabalho de palco que a levou a uma nomeação ao Tony por “Coastal Disturbances”, que lhe abriu as portas também ao mundo da sétima arte. Porém, só em 1989, aos 31 anos, o seu nome passou a constar na lista das atrizes elevadas ao patamar de estrelas com “Valmont”, de Milos Forman.

Pouco depois, no mesmo ano em que filmou “O Regresso de Henry”, ao lado de HarrisonFord, conseguiu a primeira nomeação para um Óscar com o papel da gangster Virginia Hill, namorada do mafioso Bugsy Seagal, interpretado por Warren Beatty. A empatia no set de filmagens foi imediata e passou da ficção para a realidade: “A química é algo que não se consegue explicar, mas aconteceu e resultou [risos]”, referiu. Casaram-se em 1992, têm quatro filhos e um dos casamentos mais duradouros de Hollywood.

A família sempre foi a sua prioridade, e Bening diz que teve a sorte de poder afastar-se e fazer longas pausas entre filmes para se ir dedicando aos filhos, um hábito que Warren Beatty também tem. Juntos são pais de Ella, de 23 anos, Isabel, de 27, Benjamim, de 29, e Stephen, de 32, que nasceu Kathlyn Elizabeth e, aos 14 anos, se começou a identificar como transgénero. Uma mudança apoiada e acompanhada pelos pais, mas que Bening preferia ter vivido de forma mais privada: “É estranho para nós, mas somos pessoas públicas. Queríamos proteger o nosso filho e, ao mesmo tempo, ter a melhor ajuda profissional possível. Mas conseguimos”, afirma.

Ao mesmo tempo, fala sobre como achou importante ser voz ativa na luta pelos direitos LGBTQ: “Para mim, a verdadeira transição aconteceu à medida que a direita no país se mobilizou cada vez mais para desinformar as pessoas sobre a comunidade LGBTQ. Eles têm difamado e criado problemas que não existem e semeado ódio e medo. Obviamente isso não é novidade e já aconteceu em campanhas do passado, especialmente contra os gays. Mas agora é transfobia e é galopante. Fazem isto num momento em que há cada vez mais pessoas trans que vivem abertamente e que são nossos professores, nossos escritores... Um dos meus médicos favoritos é uma mulher trans. O que eu gostaria é que cada pessoa tivesse alguém trans na sua família, porque uma vez que alguém que nós amamos é trans, começamos a entender. Tenho um filho trans e ele é uma grande inspiração para mim, e parte-me o coração a frieza e a falta de compaixão que tantas pessoas têm. Isto não deveria ser assustador para ninguém. Esta é uma experiência privada, legítima, complexa, profunda, espiritual, física e psicológica que deve ser respeitada e honrada”, afirma.

E conclui: “Amar assim tanto os nossos filhos é a melhor maneira de aprender sobre o que são as pessoas trans. Posso dizer isso porque sou a mãe: o meu filho é incrivelmente brilhante. Estou extremamente orgulhosa e ele abriu o seu próprio caminho. Admiro-o e aprendi muito desde que se assumiu. Era muito ignorante sobre o que significava ser uma criança trans. Eu, como qualquer outro pai, quero proteger os meus filhos e ter certeza de que estão bem, e tive muito que aprender. Nem sempre soube o que fazer e nem sempre fiz as escolhas certas por causa da minha própria ignorância, mas superámos isso.” 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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