"Estou ansiosa por partilhar estas experiências de vida com os membros do júri e com o público. Em 1985, subi as escadas pela primeira vez com o entusiasmo e a incerteza de uma jovem atriz; nunca imaginei regressar 40 anos mais tarde com o papel honorário de presidente do Júri. Aprecio o privilégio, a responsabilidade e a necessidade absoluta de humildade”, declarou Juliette Binoche, nomeada presidente do Júri da edição de 2025 do Festival de Cinema de Cannes, que decorrerá de 13 a 24 de maio e onde se estreou com Rendez-vous, de André Téchiné, candidato à Palma de Ouro, em 1985.
Binoche segue as pisadas da realizadora norte-americana Greta Gerwig, sendo que esta é apenas a segunda vez na sua história que uma mulher toma o lugar de outra. A última vez foi em 1966, quando Sophia Loren assumiu a presidência do júri no lugar de Olivia de Havilland. Desde 1985, Binoche participou noutros sete filmes candidatos à Palma de Ouro e participou e mais de 60 filmes, destacando-se tanto em produções francesas como internacionais, nomeadamente Entre os seus trabalhos mais notáveis estão Rendez-vous (1985), Chocolate (2000), Cópia Certificada (2010), Clouds of Sils Maria (2014) e, claro, o inesquecível O Paciente Inglês (1996), pelo qual recebeu recebeu vários dos mais prestigiados prémios da indústria cinematográfica, nomeadamente o Óscar de Melhor Atriz Secundária (1997).
Acaba de estrear este mês, no nosso páis, o seu mais recente filme “O Regresso de Ulisses” (2024) em que Juliette Binoche com volta a contracenar com Ralph Fiennes depois do sucesso de O Monte dos Vendavais (1992) e O Paciente Inglês (1996), consolidando uma parceria artística de longa data.
“Mantivemos a amizade ao longo de todos estes anos, desde O Paciente Inglês. Por isso, foi simplesmente uma alegria poder reconectar-nos no ecrã. Foi uma alegria trabalhar com Ralph novamente. Existe uma confiança entre nós que torna tudo mais profundo e mais fácil. Mesmo quando estamos a explorar emoções intensas, há sempre essa base de respeito e ligação”, destacou ao The Hollywood Reporter sublinhando como a relação construída ao longo dos anos ajudou a dar autenticidade e profundidade às suas cenas conjuntas, algo que se nota no reencontro das suas personagens, Penélope e Odisseu.
Mais recentemente, numa entrevista ao The Telegraph, a atriz francesa de 62 anos abordou diversos temas relacionados com a sua carreira e vida pessoal. Binoche expressou preocupações sobre os efeitos da fama na sua liberdade pessoal: “Preocupo-me com a minha liberdade. Quando se é demasiado famoso, é um inferno – não se pode sair e viver a vida. Tornamo-nos prisioneiros” - frisou, acrescentando com carinho - “Se alguém quer uma foto comigo, não vou pensar demasiado nisso porque, afinal, escolhi ser atriz. Se isso os faz felizes, também me faz feliz.”
Na entrevista, Binoche destacou a importância de manter a autenticidade e abraçar o envelhecimento natural: “Lutar contra o envelhecimento simplesmente não funciona. Penso que as atrizes, em última análise, são responsáveis pelos rostos que damos às mulheres”. Juliette Binoche nunca se casou, apesar de ter recebido quatro propostas de casamento, “duas no início de uma relação e duas no fim” às quais diz nunca ter respondido. Não divulgou a identidade dos proponentes, no entanto, é sabido que teve relacionamentos com o mergulhador profisional André Halle, pai do seu filho Raphaël, de 31 anos e com o ator Benoît Magimel, pai da sua filha Hana, de 25 anos, que seguiu os passos dos pais e contracenou com Juliette Binoche no filme Children of the Century de 1999.
Binoche explicou, em declarações à Week no passado, que a sua relutância em casar está relacionada com o seu desejo de liberdade: “Preciso de relações, mas às vezes, quando estou numa, sinto-me claustrofóbica. Trata-se de sentir que ainda tenho a minha liberdade. Gosto de continuar em movimento”.







