Internacional
Michael Bolton: 'Ainda me sinto um miúdo mas tenho uma alma antiga'
Michael Bolton Foto: Divulgação
Patrícia Araújo em 9 de Agosto de 2019 às 18:04

É o derradeiro cantor romântico e é impossível não acreditarmos quando assegura que não finge emoções.

Na contagem decrescente para o concerto dia 25 de julho na Altice Arena, Michael Bolton falou à Lux, numa conversa intimista onde nos deu a conhecer os seus rituais, o seu dia-a-dia de eterno viajante, os hobbies e a dieta vegetariana mas também a gratidão pelo carinho dos fãs, as dificuldades do início de carreira e a felicidade plena que conhece em ser avô.

Lux – É a terceira vez que vem em concerto a Portugal. Já alguma vez esteve cá de férias?
Michael Bolton – Férias, férias… o que é isso? A verdade é que deixei de ter férias, ou pelo menos já não tiro férias há muito tempo. Se tenho algum tempo livre fico mesmo feliz em passá-lo em casa junto das minhas filhas e netos.

M.B. – Que ideia tem do público português e dos portugueses?
Michael Bolton – Sempre que venho cá recebem-me muito calorosamente. Nos concertos, as pessoas cantam comigo e são sempre muito carinhosas e amigáveis.

Lux – Tem uma música preferida, especial para si?
M.B. – Perguntarem-me sobre as minhas canções favoritas é como pedirem-me para nomear a minha filha preferida. Tenho três filhas e amo-as de forma igual e tenho seis netos e amo-os todos, por igual, também! As minhas músicas são como filhos, mas definitivamente há disposições diferentes que se criam ao cantar certas músicas. Talvez quando esteja mais tranquilo ou nostálgico me alinhe com a expressão de uma música como “How Am I Supposed to Live Without You” mas quando estou a transbordar de energia e otimista é maravilhoso cantar “Steel Bars” ou “How Can We Be Lovers”. Também adoro os duetos “The Prayer” ou “Ain’t No Mountain High Enough” que são outros fins do espectro musicalmente – um é clássico e requer muito controlo, enquanto o outro é cheio de alma e liberta o espírito. O que mais adoro no meu espetáculo pessoalmente é que tem uma grande variedade de estilos de música, de maneira que é sempre divertido executar o conjunto como um todo. 

Lux – Tem algum ritual antes de entrar em palco?
M.B. – Estou sempre a fazer os meus aquecimentos de voz. Trabalho com o mesmo coach vocal há décadas e fizemos uma gravação dos meus exercícios de modo a poder leva-los sempre comigo em tournée. Sou muito disciplinado em garantir que alongo os meus músculos, como qualquer atleta deve fazer, antes da performance. Depois, claro, há um momento com a minha banda e a equipa em que todos nos conectamos e desejamos uns aos outros um grande espetáculo.

Lux – Não esconde que foi um longo caminho no deserto até conhecer o sucesso. Agora, olhando para trás, poderia ter feito algo de forma diferente?
M.B. – À medida que envelhecemos, percebemos uma grande verdade: que há muitas coisas que não podemos controlar. Eu fiz tudo o que podia para crescer e evoluir como artista. O resto ficou entregue a forças para lá do meu controlo e tenho que acreditar que tudo aconteceu exatamente como tinha que acontecer. O meu trabalho foi estar alerta e pronto para agarrar as oportunidades.

Lux – Nalgum ponto chegou a haver um plano B, outro plano para além da música?
M.B. – Nunca houve um plano B.

Lux – Como conciliou o ser pai de família com a vida de artista?
M.B. – Foi extremamente desafiante. Tínhamos uma ama, durante muitos anos, que nos ajudava a cuidar das crianças e, às vezes, levava as crianças comigo na tournée, mas estava sempre a tentar equilibrar ser um bom pai com a minha exigente carreira que implica muitas viagens. 

Lux – E para os seus seis netos, que têm entre 2 e 8 anos, que tipo de avô é?
M.B. – Os meus netos chama-me G’pa (diminutivo de grandparent avô) e são a alegria da minha vida! Adoramos brincar e rir e nunca deixam de me surpreender.
Lux – Como é o seu dia-a-dia? Faz exercício? 

M.B. – Um dia típico envolve estar em tournée, por isso estou muitas vezes a viajar entre cidades e às vezes também fusos horários. Entre os shows, estou normalmente em “repouso de voz”, por isso tento dormir e faço exercício antes de um jantar leve. Às vezes consigo jogar golfe, trago sempre os meus tacos, só para o caso… 

Lux – Tem atenção à dieta?
M.B. – Sou vegetariano há 46 anos por isso tenho sempre atenção ao que como mas tenho uma queda por doces!

Lux – Além do golfe tem outros hobbies?
M.B. – Muitas formas de exercício que incluem ténis, ping pong, bowling. Também adoro uma boa partida de scrabble!

Lux – É tão romântico como o projetam as suas músicas?
M.B. – Não estou a fingi-lo se é isso que possa pensar (risos).

Lux – Está nalguma relação neste momento?
M.B. – É difícil ter uma relação com a minha agenda.

Lux – Recebe mensagens de amor de fãs apaixonadas?
M.B. – Recebo as mais incríveis mensagens das minhas fãs, através do meu website e especialmente através das redes sociais. Tento manter-me a par dentro do possível e já tive oportunidade de conhecer algumas fãs. É realmente divertido e gratificante ouvir como partilham a minha música atravessando gerações, de pais para filhos.

Lux – Como sente a passagem dos anos? O que lhe traz de de melhor?
M.B. – Sinto como se nunca tivesse crescido. No fundo, ainda me sinto um miúdo mas também tenho uma alma antiga. O melhor vem das novas experiências e oportunidades à volta do mundo e não tenho qualquer intenção de abrandar.

Lux – Quais são os seus planos de futuro? O que mais quer explorar?
M.B. – Quero fazer mais televisão, cinema, comédia e teatro musial. Recentemente desenvolvemos e produzimos um novo formato de competição musical para a Ásia que quero levar a outras partes do mundo. Adoro descobrir novos talentos e aconselhá-lhos com o que aprendi. Também espero expandir as iniciativas da minha fundação The Michael Bolton Charities, para apoiar mulheres e crianças em risco.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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