PUB
PUB
Internacional
Nomeado ao Óscar de Melhor Ator, Cillian Murphy rejeita o título de estrela de Hollywood
Cillian Murphy Foto: DR
Redação Lux em 10 de Março de 2024 às 18:00

Esteve para ser advogado, mas depressa percebeu que o curso de Direito não era o queria e acabou por trocar a faculdade pela música. Cillian Murphy ainda fez parte de algumas bandas, onde era vocalista, pianista e compositor. Recusou o contrato de uma editora discográfica para se dedicar ao que realmente viria a ser a sua vida, a representação. Apesar de não ter seguido a música, continua a tocar e a compor. Filho de um funcionário do Ministério da Educação e de uma professora de Francês, Cillian Murphy acabou por se tornar num dos melhores e mais reconhecidos atores da sua geração.

Em 2005, além de “Batman – O Início”, fez “Red Eye”, na pele de Jackson Rippner. O olhar de um azul frio e profundo ajuda na composição de personagens sinistras. Foi o que aconteceu com “Batman”. Cillian tentou ser o super-herói, mas acabou por interpretar o vilão Scarecrow. Apesar de vários papéis marcantes, foi na pele de Thomas Shelby, o gangster de “Peaky Blinders” que o reconhecimento global chegou.

Ao The Hollywood Reporter, afirmou: “Ninguém sabia que este projeto sequer ia existir, porque não houve publicidade. Cresceu graças ao passa-palavra e isso deixa-me muito orgulhoso.” Avesso à fama e aos holofotes de Hollywood, Murphy não gostou dessa notoriedade: “A fama de ‘Peaky Blinders’ deu-me cabo da vida, porque tudo em mim começou a ser examinado até ao mais ínfimo detalhe. A privacidade deixou de existir. Agora, quando vou à rua, começam a tirar-me fotografias como se fosse um animal no zoo. Isso destrói a minha existência”, disse à Variety. Algo que se intensificou novamente, dez anos depois, na pele de J. Robert Oppenheimer, o físico teórico americano e pai da bomba atómica, no filme “Oppenheimer”, a sua sexta colaboração com o realizador Christopher Nolan, para o qual está nomeado para um Óscar na categoria de Melhor Ator.

As conferências de imprensa que teve de fazer para promover o filme foram um tormento: “Estou sempre com a minha família e amigos, exceto se tiver um filme para promover. Só as faço porque sou contratualmente obrigado. Tenho de aguentar as apresentações, mas são momentos muito difíceis.” Se dependesse de Murphy, estas tournées, com entrevistas na passadeira vermelha e viagens, deixariam de existir e o filme só por si faria esse trabalho: “É como Joanne Woodward disse, ‘representar é como fazer sexo. Faça, não fale sobre isso’. Acho que são um modelo falido, está sempre toda a gente tão entediada… As pessoas diziam, ‘ele tem reservas’ ou ‘ele é um entrevistado difícil’. Na verdade, adoro falar sobre trabalho, sobre arte. O que considero desnecessário e inútil é a pergunta: ‘Fale-me sobre si...’”

Extremamente crítico em relação ao seu trabalho, diz que não gosta de se ver: “Quando era mais jovem, era muito, muito duro com tudo em que participava. Odiava ver-me no ecrã. Achava que estava sempre mal, mas se as pessoas gostam, acho ótimo, fico satisfeito com isso.” Este rigor leva-o a querer entrar nas personagens de forma obsessiva. Para “Oppenheimer”, Cillian perdeu 20 quilos, com uma dieta extrema e rigorosa. “Adoro atuar com o meu corpo e Oppenheimer tinha uma fisicalidade e uma silhueta muito distintas que eu queria conseguir. Tive que emagrecer bastante, ele era muito magro e vivia a Martinis e cigarros.”

Apesar de ter considerado o processo “duríssimo”, nunca vacilou: “Fica-se um pouco competitivo connosco próprios, o que não é saudável. Não aconselho. Estava a funcionar com uma energia louca. Passei o limite onde não me importava com a comida nem com nada. Estava muito envolvido, mas foi bom porque a personagem era assim, nunca comia.” Esta não é a primeira vez que muda hábitos alimentares para um papel. Murphy foi vegetariano durante 15 anos, porque tinha medo de contrair a doença das vacas loucas. Depois, vestiu a pele de um talhante em “Rapariga com Brinco de Pérola” e teve de aprender a cortar carne. Mais tarde, abandonou definitivamente o vegetarianismo para “Peaky Blinders”: “Durante a primeira temporada, não queriam que parecesse um irlandês magro. O meu treinador recomendou carne” e, na festa dos 40 anos da mulher, tomou “umas bebidas antes do jantar. Quando o empregado me perguntou se queria peixe ou a carne de veado, hesitei e ele disse: ‘Coma a carne.’ E estava certo. Foi extraordinário.”

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Comentários

PUB
pub
PUB
Outros títulos desta secção