PUB
PUB
Internacional
Aos 80 anos, Robert De Niro não mostra sinais de querer abrandar o ritmo nem a nível profissional, nem pessoal
ROBERT DE NIRO
Redação Lux em 16 de Fevereiro de 2024 às 18:00

A recente paternidade trouxe a Robert De Niro um novo fôlego. E foi precisamente a falar da filha Gia, de quase 10 meses, que, numa entrevista, ocasião onde é comum mostrar-se mais sério e quase monocórdico, o ator não conseguiu esconder a emoção e os olhos se encheram de lágrimas: “Sou um pai de 80 anos e é uma sensação fantástica. Tudo o que me possa consumir, ou que me preocupa, simplesmente desaparece quando olho para ela. É maravilhoso. Quando ela for mais velha, quem sabe? Mas essa forma tão doce que ela tem de olhar, de nos acolher, pensar e observar e observar... É muito interessante. Quero estar por perto o máximo que puder para poder aproveitar o tempo e aproveitá-la a ela.”

Gia é fruto da relação do ator com Tiffany Chen, de 46 anos. A primeira filha do casal é a sétima de De Niro. O ator foi casado duas vezes, a primeira, em 1976, com Diahnne Abbott, com quem tem dois filhos, Drena, de 51 anos, e Raphael, de 47. O casal divorciou-se após 12 anos de casamento. De Niro iniciou depois uma relação com a modelo e atriz Toukie Smith, com quem teve os gémeos, Julian e Aaron, de 27 anos. Em 1997, casou-se com a hospedeira de bordo Grace Hightower, de quem se separou em 2018. Juntos são pais de Elliot, de 25 anos, e de Helen, de 11. Robert De Niro é avô de quatro, mas em julho a família sofreu a perda dramática de Leandro, de 19 anos, o neto mais velho do ator, que morreu vítima de overdose.

Profissionalmente, o ator continua a mostrar-se imparável. O carisma e brilhantismo continuam a aperfeiçoar-se com o passar dos anos e voltaram a revelar-se em “Assassinos da Lua das Flores”, que lhe rendeu a nona nomeação para um Óscar. Esta é a 10.ª colaboração com Martin Scorsese e para o ator, que conta com um rol de memoráveis personagens cruéis, o manipulador William King Hale surge num outro nível de maldade, já que capta a natureza sinistra de homens comuns e um lado negro da história americana. “Tenho tentado descobrir como funciona a natureza do mal. E como as pessoas que estão no centro de algumas das situações mais pérfidas da história são muitas vezes banais”, disse em entrevista à AARP The Magazine. “William Hale é muito charmoso, muito educado. Ele gosta do Osage (povo indígena), ou pensa que sim. E ele sente que eles gostam dele, e provavelmente alguns gostaram. Ele fala a língua e lida com eles individualmente. É quase como um ‘não é nada  pessoal.’”

Sobre o facto de certas histórias não serem muitas vezes faladas, por não serem confortáveis de lembrar, diz: “Bem, não importa se a história é dolorosa. Foi o que aconteceu.” Os pais de Robert De Niro separaram-se quando o ator tinha 2 anos, depois de o pai, que também se chamava Robert, se assumir homossexual. Eram ambos pintores, o pai um proeminente expressionista figurativo, viveu na Europa, antes de regressar aos EUA, onde morreu, aos 71 anos. De Niro mantém o estúdio, em West Broadway, exatamente como o pai o deixou. A mãe, que criou o filho em West Village, acabou por ganhar a vida como datilógrafa e escreveu também literatura erótica para Anaïs Nin e ficção popular para a revista True Crime. O pequeno e muito tímido Robert apaixonou-se pela representação aos 10 anos, depois de vestir a pele do Leão na produção escolar de “O Feiticeiro de Oz”. Aos 20, estreou-se no cinema e não demorou muito até começar a participar nos projetos dos mais proeminentes realizadores. A meio da década de 80 juntou ao currículo uma série de papéis em filmes cómicos, pelos quais foi também muito aclamado. “Cada personagem tem um certo ritmo e temos que fazer o que for preciso para encontrá-lo”, conta em entrevista à mesma revista: “Todos aproveitamos os ritmos uns dos outros e tocamos juntos. Isso é muito importante para mim, porque uma vez que isso acontece, tudo o resto se encaixa.” E é este “conhecimento do ritmo” que lhe permite libertar-se do guião e improvisar, muito mais do que se possa pensar.

Questionado sobre como pensa que mudou e cresceu, como ator e homem, nestes 60 anos de carreira, afirma: “Aprendi a não me preocupar nem a me sobrecarregar demais. Gosto de deixar as coisas acontecer.”

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Comentários

PUB
pub
PUB
Outros títulos desta secção