O Papa Francisco, de 88 anos, foi internado na sexta-feira, dia 14 de fevereiro ,no hospital italiano Agostino Gemelli para ser submetido a exames de diagnóstico e tratar uma bronquite. No pôde fazer a habitual oração de domingo na Praça de São Pedro nem dirigir a missa do Jubileu para os artistas, tendo sido substituído pelo cardeal português D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação.
O Vaticano informou que o papa se encontra numa condição clínica estável e sem febre, mas vai permanecer internado devido a uma situação clínica "complexa" relacionada com uma infeção respiratória.
"Os resultados dos testes realizados nos últimos dias e hoje demonstraram uma infeção polimicrobiana do trato respiratório, que levou a uma nova alteração da terapêutica. Todos os testes realizados até hoje são indicativos de um quadro clínico complexo que exigirá um internamento hospitalar adequado", lê-se no comunicado.
Infeção polimicrobiana é o termo que indica que a infeção é causada por mais de um agente microbiano, como vírus, fungos ou bactérias.
O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, indicou que Francisco está "de bom humor", sem dar mais detalhes sobre a doença.
Posteriormente o Vaticano fez saber: "O Santo Padre continua apirético e prossegue a terapêutica prescrita. O seu estado clínico é estável. Esta manhã recebeu a Eucaristia e depois dedicou-se a algum trabalho e à leitura de textos (...) está comovido com as numerosas mensagens que continua a receber”.
O Papa tem telefonado para a paróquia da Sagrada Família, a única igreja católica em Gaza, onde 600 pessoas se refugiaram, todos os dias desde o início da guerra, e continua a fazê-lo durante o seu internamento. "Telefonou-nos na sexta-feira e no sábado, a sua voz estava um pouco cansada, mas estava de bom humor e queria saber como estávamos”, referiu o padre argentino Gabriel Romanell, responsável da paróquia, citado pela imprensa do grupo Mediaset, acrescentando que no domingo não telefonou porque “ia descansar”.", adiantou
Recorde-se que Francisco quase morreu depois de desenvolver pleurisia (uma inflamação da membrana que envolve os pulmões) quando era jovem, as 21 anos, o que obrigou à remoção de parte de um pulmão.
Papa desde 2013, Francisco tem sofrido vários problemas respiratórios ao longo dos anos. Na Sexta-Feira Santa do ano passado, foi obrigado a cancelar um evento na sequência de uma "gripe ligeira", mas ainda assim liderou os serviços religiosos de Páscoa. Em março de 2023, foi internado com uma pneumonia e novamente, devido a uma bronquite, teve de cancelar a visita ao Dubai em dezembro de 2023 para participar na conferência climática COP28 das Nações Unidas.
O Papa sofre de estenose lombar, um desgaste na coluna lombar e foi operado a uma hérnia em junho de 2023. Em 2021 foi submetido a uma cirurgia a um tipo de diverticulite, uma inflamação de bolsas que se desenvolvem no revestimento do intestino. O Pontífice usa uma cadeira de rodas desde 2022 por causa da artrose nos joelhos que lhe causa dores persistentes e cujo incómodo nas articulações é acompanhado, muitas vezes, de dor ciática; usa bengala quando está de pé. Em 2020, Francisco não celebrou a tradicional missa de Ano Novo devido a dores no no nervo ciático
Francisco também sofreu várias quedas nos últimos meses, magoando o antebraço em janeiro e exibindo um grande hematoma no maxilar direito em dezembro, provocado por uma queda ao sair da cama em que bateu com o queixo na mesa de cabeceira,
Apesar do seu estado de saúde frágil, o Papa mantém uma agenda muito preenchida, nunca tira férias e raramente descansa. Em setembro de 2024, completou uma viagem por quatro países da Ásia-Pacífico, a mais longa do seu papado em termos de duração e distância.
Num livro de memórias publicado no ano passado, o papa declarava que "não tinha nenhuma causa suficientemente séria para me fazer pensar em renunciar". A demissão é uma "possibilidade distante" que só se justificaria em caso de "impedimento físico grave".







