Na última semana, Saoirse Ronan voltou a mostrar porque é considerada uma das estrelas de Hollywood que mais usa a voz e a notoriedade para defender os direitos das mulheres e da igualdade, depois de, em apenas dez palavras, conseguir deixar em silêncio três famosos atores, num vídeo que acabou por se tornar viral com mais de 56 milhões de visualizações. Tudo aconteceu durante o programa “Graham Norton Show”, onde a atriz esteve para falar do seu mais recente filme “Blitz”.
No programa, Ronan dividia o sofá com os atores Paul Mescal, Denzel Washington e Eddie Redmayne, convidados para falar também dos seus novos projetos. Durante a conversa, Eddie Redmayne contava como teve de aprender defesa pessoal e de como foi ensinado a usar um telemóvel para retaliar em caso de ataque, para interpretar um assassino na sua nova série “The Day of the Jackal”. A explicação levou os restantes colegas do painel a rir e a fazer piadas sobre a questão da defesa pessoal com um telefone, enquanto Ronan tentava intervir na conversa sem sucesso, até que finalmente disse: “É nisso que as raparigas têm que estar sempre a pensar.” Durante vários segundos, os três atores fizeram silêncio absoluto, perante a constatação da realidade enfrentada pelas mulheres quanto à sua segurança. O comentário da atriz valeu-lhe inúmeros elogios, mas também críticas quanto às dificuldades que teve para se fazer ouvir no painel dominado por homens.
No entanto, não é de agora que Saoirse Ronan verbaliza as suas ideias sobre tópicos como a diferença de género, assédio, aborto, casamento homossexual ou até a política. A poucos dias das eleições presidenciais nos EUA, Ronan foi muito clara quanto às suas intenções de voto. Ao podcast do Variety Awards Circuit, a atriz disse que “com certeza votará na pessoa certa nestas eleições”, ao referir-se à candidata Kamala Harris. “A verdade é que não me sinto segura nos EUA. Entro num cinema para promover um filme em que participo e não tenho a certeza se alguém vai sacar de uma arma. E essa é uma sensação horrível”, afirmou. E continuou: “É horrível saber que os meus amigos com filhos não se sentem 100% seguros ao mandá-los para a escola, com medo de que levem um tiro aos 5 anos. Isso é bárbaro, e Donald Trump contribui para isso.” A atriz considera que as políticas de Trump desencadeiam “o efeito cascata” sobre o resto do mundo. “Acho que, quando foi presidente, abriu as ‘comportas’ para pessoas que têm uma mentalidade muito prejudicial à saúde, uma visão incrivelmente racista e preconceituosa.” Saoirse nasceu no bairro do Bronx, em Nova Iorque. Filha de pais atores, ambos irlandeses, a família mudou-se para a Irlanda quando tinha 3 anos. Na mesma conversa afirmou: “Os EUA costumavam ser progressistas, mas ver este retrocesso e as minorias a sentir literalmente que podem ser atacadas a qualquer momento, podem ser mortas, é muito difícil.”
Desde 2018 a atriz mostrou-se também acérrima defensora do direito ao aborto. À Vogue afirmou: “As mulheres têm de poder escolher e de ter pleno direito sobre o seu corpo.” Antes, aos 21 anos, já tinha usado a sua voz para defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em referendo na Irlanda: “Fiquei muito feliz e honrada por o meu primeiro voto ser um ‘sim’ para a igualdade no casamento. Foi uma oportunidade para a minha geração criar uma sociedade justa e igualitária e mudar coisas que eram atrasadas e ultrapassadas. Um ‘sim’ significa que estamos do lado dos melhores, que temos visão de futuro, somos justos e iguais.” E acrescentou: “Se um filho meu vier ter comigo e disser que é homossexual, quero que tenha os mesmos direitos que qualquer outra pessoa.” Saoirse causou também impacto na indústria depois de se juntar a mais de 190 estrelas femininas do entretenimento que exigiram a erradicação do assédio sexual: “É a coisa mais importante e nunca me senti tão encorajada, inspirada e apoiada para usar a minha voz. Sermos capazes de nos unir e usar a nossa influência para aumentar a consciencialização e apoiar quem questiona a sua segurança no set é inestimável.”
Depois de uma série de papéis dramáticos, que também incluem participações em “Brooklyn”, “Ammonite”, ou “Mulherzinhas”, Ronan afirma que gostaria de experimentar papéis mais cómicos: ”Adoraria fazer algo moderno e engraçado. Mas ser capaz de fazer uma comédia bem requer muita habilidade e musicalidade. Não acho necessariamente que tenha isso ainda, embora, à medida que envelheço, me sinta mais confortável e confiante para tentar.” Sobre os seus mais de 20 anos de carreira diz: “Enquanto atores, se progredimos na carreira e tivermos uma experiência bastante completa, já teremos desempenhado tanto papéis menores como de protagonistas, já teremos sido muito bem tratados e também tratados como merda, e acho que há uma verdadeira humildade que vem com isso.”
Além de papéis cómicos, Saoirse tem outro sonho: “Sempre disse que quero interpretar uma vilã em ‘James Bond’. Realmente adoraria fazer isso.” Um desejo que seria, para ela, ainda mais perfeito caso um dos nomes de que se fala para interpretar o famoso agente, fosse o de Jack Lowden, seu marido. ”Ele devia mesmo ser o próximo Bond.” Lowden e Saoirse conheceram-se em 2018, quando contracenaram no filme “Mary, a Rainha dos Escoceses” e casaram-se em julho deste ano numa cerimónia privada e familiar em Edimburgo… O casal vive entre Dublin, Londres e Escócia.







