Kevin Spacey deverá deslocar-se a Lisboa poucos dias antes do Natal para uma exibição exclusiva de The Portal of Force, o novo filme que protagoniza e realiza. Mas, enquanto a estreia avança, a produtora que financia o projeto está a ser investigada em Portugal por suspeitas de branqueamento de capitais.
Uma investigação do Expresso e do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) revelou que a Elledgy Media, criada no final de 2023 em Lisboa com capital mínimo e sede num apartamento em Benfica, movimentou entre abril de 2024 e maio de 2025 mais de 4,8 milhões de euros. Os montantes chegaram através de quase uma centena de transferências e de depósitos elevados em numerário. A banca sinalizou as operações ao Ministério Público, que abriu um inquérito por branqueamento de capitais.
A produtora portuguesa é responsável por financiar The Portal of Force, previsto para chegar ao público no final de 2026. Apesar de recém-criada, a empresa tornou-se subitamente um polo de grandes fluxos financeiros, o que despertou suspeitas das autoridades.
O foco da investigação recai sobre Elvira Paterson, empresária ucraniana residente em Portugal e proprietária da Elledgy Media. Paterson mantém ligações a Vladimir Okhotnikov, empresário russo acusado nos Estados Unidos de estar por detrás de uma fraude de 340 milhões de dólares com criptomoedas. Okhotnikov é coautor e coprodutor de The Portal of Force e terá usado a empresa portuguesa para movimentar fundos associados aos seus projetos digitais. Em mensagens privadas consultadas pelos investigadores, Paterson admitiu que mais de quatro milhões de dólares circularam pela produtora desde que conheceu o russo e que parte do restante financiamento chegou sob a forma de criptoativos.
A investigação internacional indica ainda que a Elledgy Media organizou, entre 2024 e 2025, eventos com figuras de Hollywood em vários países. Esses encontros serviriam para promover os projetos de Okhotnikov, como Meta Force e Holiverse, ambos ligados ao universo cripto e posteriormente descontinuados.
Enquanto The Portal of Force entra na fase final de produção, o Ministério Público tenta agora determinar se Portugal foi utilizado como plataforma para movimentações financeiras de origem duvidosa, num caso que cruza cinema, criptomoedas e suspeitas de lavagem de dinheiro.







