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Internacional
Vanessa Kirby vive o papel mais profundo da sua carreira, que lhe garantiu a nomeação para o Óscar
Vanessa Kirby Foto: DR
Redação Lux em 25 de Abril de 2021 às 18:00

Este pode ser o ano de Vanessa Kirby. Mesmo que não leve o Óscar para casa, para o qual está nomeada na categoria de Melhor Atriz, a sua interpretação no filme “Pieces of a Woman” rendeu-lhe também nomeações para os Globos de Ouro, os Critics Choice Awards e os BAFTA.

Aos 32 anos, a notoriedade de Vanessa Kirby chegou com o papel de princesa Margarida, nas duas primeiras temporadas da série “The Crown”, que lhe valeu o BAFTA para Melhor Atriz Secundária. Antes, tinha já no currículo várias peças de teatro e a participação no nono filme da saga “Velocidade Furiosa”, ao lado de Vin Diesel, e em “Missão Impossível – Fallout”, com Tom Cruise. Porém, o seu momento notável no grande ecrã chegou com a estreia mundial, de “Pieces of a Woman”, que tem como produtor executivo Martin Scorsese.

No filme, o primeiro em inglês do cineasta húngaro Kornél Mundruczó, no qual contracena com Shia LaBeouf, Vanessa veste a pele de Martha, uma mulher em luto profundo após perder a filha recém-nascida. O filme começa com a personagem a entrar em trabalho de parto em casa. Esta cena inicial foi gravada num único plano de 24 minutos. “Todos sentimos que a coisa mais importante para o parto era que fosse verdadeiro, autêntico em comparação com aquilo que realmente é, e não uma versão para filme, limpa e editada”, disse ao USA Today.

“Nunca tinha visto uma história assim no cinema. É uma forma muito diferente de mostrar a dor, porque Martha não a exterioriza”, afirma em entrevista à Netflix, e continua: “Sou expressiva e exteriorizo tudo, por isso foi um desafio interpretar alguém que está num turbilhão interior e a sentir uma dor enorme, mas a parecer estar bem para os outros. Andava à procura de um papel assustador e com este fiquei apavorada. Todos temos esta necessidade de ir buscar uma parte de nós que não sabíamos existir.”

Para se preparar para esta mulher que vive uma dor insuportável, a atriz fez questão de assistir a um parto real: “Vivi este pequeno milagre de ter a oportunidade de ver alguém a ter um filho. Foi a coisa mais poderosa a que assisti e isso mudou-me.”

Vanessa falou também com mães que perderam os seus bebés: “Não teria conseguido fazer o filme sem estas mulheres e não fazia ideia da falta de apoio que têm. Ninguém fala com elas sobre este assunto.”

Vanessa Kirby nasceu em Wimbledon, Inglaterra, em 1988, filha de um médico urologista e de uma ex-editora da revista britânica de sociedade e lifestyle Country Living. Em criança, ela e os dois irmãos (um rapaz e uma rapariga) eram arrastados pelo pai, um apaixonado por Shakespeare, a ver todas as peças de teatro em Londres: “Aquilo chateava-me tanto, mas a partir dos 11 anos tudo mudou e começou a fascinar-me.” Foi quando decidiu que queria ser atriz: “Era muito ansiosa e sensível. Acho que por isso quis ser atriz, sentia tudo muito intensamente. A insegurança é muito dolorosa. Há sempre uma voz a dizer ‘não és suficientemente boa’ ou ‘isso foi muito mau’, é o achar que nunca se é bom o suficiente. A verdade é que vivemos numa sociedade onde há uma pressão constante de comparações”, disse a atriz durante o podcast Make it Reign, de Josh Smith.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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