Internacional
Rodrigo Leal: 'Perdi o meu melhor amigo, mas ele me deixou uma história linda'
Rodrigo e Roberto Leal
Redação Lux em 27 de Setembro de 2019 às 16:55

Quatro dias antes da sua morte, Roberto Leal deu entrada no Hospital Samaritano, em São Paulo, após uma reação alérgica a um medicamento. Sem ainda ter sido revelada a causa oficial da morte, o departamento de comunicação do hospital apenas confirmou que o cantor sofreu uma insuficiência renal. Apesar de lutar há dois anos contra um cancro, a morte do cantor apanhou todos de surpresa.

“É uma doença difícil. Fiquei chocado, porque quando vi o pai, há dois ou três dias atrás, não se imaginava este cenário. Há duas semanas estava a fazer televisão, a fazer a vida que sempre amou fazer. Mas em dois dias tudo aconteceu. Entrou no hospital e foi… está lá em cima”, conta Rodrigo Leal, filho mais velho do cantor, que não esconde o momento difícil que está a viver: “A palavra para definir bem o meu pai é alegria. O meu pai, com certeza, se estivesse aqui hoje, gostaria de ver as pessoas felizes. O meu pai desde sempre vendeu para as pessoas a imagem de esperança, de fé, de alegria e esse é o Roberto Leal. É um momento muito difícil. Perdi o meu melhor amigo, mas ele me deixou uma relíquia linda, me deixou uma história linda. Hoje é o dia do choro e da emoção, mas, a partir de amanhã, temos de virar a página e precisamos de resgatar tudo aquilo que ele plantou. Hoje peço que se lembrem dele a bater o pé e a dançar o vira. Acho que é assim que ele vai ficar feliz, lá em cima a olhar por nós aqui em baixo”, disse, emocionado, Rodrigo Leal.

Duas semanas antes da sua morte, o cantor português, de 67 anos, deu uma entrevista ao canal brasileiro Band. Em conversa com a jornalista Veruska Boechat disse: “Quando fui fazer a operação à coluna, a dor era tão grande, tão grande, que ela tomou conta do meu corpo. Antes de entrar no bloco, procurei Deus e disse-lhe ‘a partir de agora entrego-me nas Tuas mãos’. Quando estás à beira de partir deste mundo, queres ficar mais um pouquinho, para ver crescer as tuas netas, para ver as vitórias dos teus filhos, deixar a tua companheira em paz.”

O cantor contou que soube da doença há cerca de dois anos, depois de “começar a sentir uma dor no final da coluna, que se estendia à perna direita, deixando-a adormecida”. Foi-lhe, então, diagnosticado um melanoma. Após três operações, realizou sessões de radioterapia o que acabou por lhe afetar visão. Os médicos diagnosticaram-lhe duas cataratas, que lhe retiraram a visão do olho direito.

António Joaquim Fernandes nasceu em Portugal, na aldeia transmontana Vale da Porca, concelho de Macedo de Cavaleiros. Em 1962, tinha 11 anos, emigrou para o Brasil, com os pais e os nove irmãos. Em São Paulo, após trabalhar como sapateiro, vendedor de doces e feirante e, em 1970, gravou o seu primeiro disco. Um ano depois, alcançou o primeiro grande êxito com “Arrebita” e teve a sua primeira experiência na televisão brasileira. Vendeu mais de 17 milhões de discos, conseguiu 30 discos de Ouro e cinco de Platina. “Arrebenta a Festa” foi o último disco editado, em 2016, de uma discografia com mais de 50 discos.

Casado há 45 anos com Márcia Lúcia, Roberto Leal era pai de três filhos nascidos no Brasil, e tinha duas netas. A Veruska Boechat, Roberto Leal disse que “das quase 500 músicas que escreveu, não houve uma que não fosse de Roberto Leal e Márcia Lúcia”.

Na mesma entrevista, a mulher contou: “Conheci o Roberto Leal em 1971, há 48 anos, uma vida, e, desde o momento em que nos conhecemos, iniciámos ali uma parceria de vida e hoje queria prestar a minha homenagem a esse marido maravilhoso, a esse pai maravilhoso, esse homem bom, cheio de fé, cheio de amor pelas pessoas.”

O velório de Roberto Leal aconteceu na Casa de Portugal, na região central de São Paulo, e o funeral, no Cemitério Congonhas, na zona sul.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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