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Nacional
Redação Lux em 1 de Abril de 2022 às 14:22
Exposição Quatro Paredes Caiadas de Joana Vasconcelos
1/2 - Exposição Quatro Paredes Caiadas de Joana Vasconcelos
2/2 - Exposição Quatro Paredes Caiadas de Joana Vasconcelos

O regresso ao Douro de Joana Vasconcelos teve início sob o signo da Responsabilidade Social, e a continuidade assegurada numa ação de extensão cultural hoje inaugurada.

A partir da Casa dos Noura, novíssimo equipamento da autarquia de Alijó, que acolhe a exposição Quatro Paredes Caiadas, pretende-se materializar uma nova prática de descentralização e disponibilização de bens e conteúdos fora do circuito internacional onde a artista se move habitualmente.

A antiga residência, dentro da vila duriense, assume o papel acometido anteriormente ao Castelo de Versailles e ao Guggenheim Bilbao, materializando no território ancestral de Joana Vasconcelos o que anteriormente teve palco em museus e centros de exposições internacionais, habitualmente inseridos em ambiente urbano.

A mostra releva o empenhamento reiterado de Joana Vasconcelos na releitura e valorização da produção artesanal lusa, na apropriação de arquétipos da portugalidade – que poderia conduzir à sua irrisão, o que não ocorre nesta evocação que quase se transforma numa tarefa taxonómica – que se conjuga com um engajamento político e uma postura didática. Quatro Paredes Caiadas, o título da exposição retirado de um excerto de uma canção de Amália, acentua o valor da domesticidade, que pode ser espaço de reclusão ou de afirmação feminina.  E neste processo de empoderamento, que implica a consciência dos próprios limites e a sua superação, é determinante o recurso ao magistério, essa maneira de projetar valores e de libertar as gerações vindouras dos constrangimentos do presente.

Neste projeto expositivo, que assinala uma deslocação do foco da criadora para uma construção de centralidades culturais em áreas geograficamente periféricas, a reapropriação de um território é reforçada simbolicamente pela presença na Casa dos Noura da instalação Tè Danzante, de 2018. Transportada diretamente da residência de Joana Vasconcelos para o Douro, o bule de ferro forjado de escala humana – que estanciou anteriormente no Luxemburgo, Nova Deli, Londres e Edimburgo  - impõe-se no exterior do novo equipamento municipal, transformado temporariamente no solar da artista.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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