Nacional
Redação Lux em 3 de Abril de 2020 às 18:00
Cláudia Vieira revela como tem sido o isolamento em casa com as filhas
1/2 - Cláudia Vieira e Caetana
2/2 - Maria e Caetana

Cláudia Vieira sempre foi uma pessoa serena e tem sido essa serenidade que a tem ajudado a atravessar os momentos difíceis que vivemos atualmente. Em casa, na companhia do namorado, João Alves, a atriz vai falando frequentemente com os pais e a avó, que é quem mais a preocupa, e vai aproveitando o tempo com as filhas: Maria, de 9 anos, que, até ao momento, tem estado afastada do pai, Pedro Teixeira, por questões de segurança, e Caetana, de apenas 3 meses.

Lux – Qual é o seu estado de espírito neste momento?
Cláudia Vieira – Consciente que são tempos difíceis e que, acima de tudo, temos de cumprir as regras para evitar a propagação e a contaminação. Estou em isolamento e estou a ser altamente cumpridora: saio à rua para ir com os meus cães e fazer compras sempre com a maior precaução possível, de luvas e com a devida distância das pessoas. É um dever cívico todos nós cumprirmos o que o SNS nos tem
pedido. Por todos. É, sem dúvida, um momento de reflexão sobre muita coisa e alguns dias são mais angustiantes. Um dia estou mais positiva, outro dia mais tristonha, mas é realmente inevitável, porque a reflexão e a introspeção nos levam a pensar sobre tudo isto. Porém, nada como sermos criativos em casa e conseguirmos passar o tempo da melhor e mais positiva forma, quer seja a cozinhar, a fazer exercício, a organizar as roupas da estação passada e a dar muito mimo à família.

Lux – Sendo a Caetana tão pequena, há uma preocupação extra por ela?
C.V. – Sem dúvida alguma. A Caetana é uma bebé muito pequenina – com 3 meses e meio – que, na realidade, correspondem a 2 meses e meio, porque nasceu um mês antes. Ela ainda não se apercebe de nada do que está a acontecer, e ainda bem, é um dia como os outros connosco por casa, porque na realidade já a mantínhamos muito por casa e agora mais ainda. Não a levo à rua nem por nada, a não ser numa urgência. E com isso as nossas saídas também são muito controladas, para que tudo corra bem.

Lux – Como é que a Maria está a viver o isolamento forçado? Já percebi que gosta de estar em casa, mas sendo uma pausa longa, definiu tarefas para que ela passe melhor o tempo?
C.V. – Sim, o primeiro fim de semana foi fácil, até porque fomos aproveitando o terraço e ainda foi à rua para passearmos os cães. Agora evito e, por isso, as atividades são por casa, anda de patins no terraço, mas continua com o horário escolar, ou quase semelhante, em que faz o estudo de acordo com as disciplinas que teria nesse dia. Ou seja, faz 45 minutos de alemão, depois uma pausa e depois outra disciplina e assim sucessivamente. Ela até está a achar piada de fazer o horário da escola em casa, com as matérias que a escola vai enviando. Claro que também fazemos alguns jogos e brincadeiras, para que haja momentos mais leves e vê também um episódio por dia da série que anda a acompanhar. Entre escola, refeições, jogos, brincadeira com os cães, estar com a mana e ver a série, o dia passa e não está a ser difícil para ela, de todo.

Lux – A Maria ficará estas semanas sempre com a Cláudia, ou estará também com o Pedro?
C.V. – Neste momento é comigo, em nossa casa, porque assim aconteceu naturalmente. Além de que tudo isto é novo para todos e ainda nos estamos a adaptar a esta realidade. Obviamente que ela está sempre em contacto com o pai, mas, para já, está em casa, até porque o entra e sai e as mudanças de ambientes podem não ser positivas. Claro que se, entretanto, ‘bater muita saudade’ e estiver tudo bem e eles se sentirem bem, iremos reavaliar, mas, como disse antes, ainda nos estamos todos a adaptar a esta nova realidade e com o maior cuidado possível. Portanto, se por segurança tiver de ficar sempre aqui em casa, assim será.

Lux – Há algum receio pelas pessoas mais velhas da família, a sua avó por exemplo? Têm falado?
C.V. – Sim, vou falando muito com a minha mãe e a minha avó e, sim, a preocupação recai muito nelas, porque são as mais velhas da família. Há um cuidado em saber como estão e se têm tudo o que necessitam. O mais stressante para nós é que estão mais sozinhos nesta fase, mas são pessoas aptas e que cuidam de si, o que nos dá, ainda assim, algum descanso. Tenho estado sempre também a consciencializá-las de que têm de estar realmente em casa e não irem dar uma voltinha ou às compras. Somos vários os netos, os filhos, e definimos que o que precisam nós levamos lá. É simples e fácil: nós deixamos na porta de casa e elas levam para dentro de casa. Não há contacto, porque não sabemos quem esteve em contacto com quem e, por isso, estamos a evitar isso mesmo. Mas vamos comunicando todos, percebendo como estão e a companhia é feita pelo telefone.

Lux – Tem contado com ajuda extra, por causa das refeições, compras ou é o João que está encarregue dessa parte?
C.V. – Como é óbvio, vamos dividindo as coisas e realmente é uma fase de adaptação a uma nova realidade. Vamos fazendo muitas coisas em conjunto, eu, o João e a Maria que também colabora.

Lux – Que lição podemos tirar deste período que estamos a viver?
C.V. – Como disse antes, este é um momento de reflexão e muito me tem ocorrido e vindo à cabeça. A primeira delas é a força que realmente o universo tem em equilibrar as coisas. Não quero acreditar que o vírus surgiu pela mão humana, mas pode ter acontecido, não quero acreditar que tenha sido por questões económicas ou políticas... Acredito mais na força da natureza de levar o ser humano a pensar que somos realmente todos iguais e que este vírus não diferencia ninguém. Somos todos um só e temos que estar mais do que nunca a pensar no outro. Tenho pensado nos refugiados por exemplo, quando são impedidos de entrar em algum sítio, porque, neste momento, se pensássemos que havia um sítio onde não se apanhava o vírus, todos nós quereríamos ir para lá e era só fugir do que está errado, que é o que eles fazem, fugir das dificuldades, dos países em guerra. Parece que foi necessário aparecer uma coisa diferente de tudo e a colocar-nos a viver de uma forma diferente, como nunca vivemos e que nunca imaginámos que fôssemos viver... Acredito que irão mudar as mentalidades de consumo e a forma de estar na vida. A poluição que tanto precisávamos de abrandar, de repente, deu um grito e com isto temos menos poluição. São várias as questões que me têm vindo à cabeça e que me deixam a pensar na forma como o universo tem de se equilibrar. É tudo muito surpreendente e agoniante, não tem nada de fantástico, mas acaba por ser incrível pela maneira como colocará a sociedade a pensar e a valorizar o ser humano, o outro. Tudo isto está a provocar-nos para pensarmos na nossa atitude perante a vida!

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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