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Nacional
Alta Costura por Filipa Guimarães: 'O Mapa Cor de Laranja'
Alta Costura na Lux por Filipa Guimarães, jornalista e escritora Foto: Carlos Ramos
Redação Lux em 3 de Dezembro de 2020 às 18:00

O Mapa Cor de Laranja por Filipa Guimarães

Deixemos as regiões de Portugal, como aprendemos na primária e às quais nos orgulhamos de pertencer. Ou sobre as quais contamos anedotas. Preparemo-nos para as zonas laranja forte, laranja claro, amarelo e amarelo pálido. Tem a ver com a taxa de risco de contágio. Até faz impressão. Como é que, em tão pouco tempo, Portimão passou a ser tão arriscado. Foi “tudo” no autódromo? Escaldou em emoção e em projeção, mas, agora, esqueçamos lá isso? E Évora, aquela cidade onde parece que viajamos no tempo e agora está em risco elevado, menos aos fins de semana? A restauração não é perigosa? Os debates terra a terra são esgotantes e as entrevistas com os edis locais de péssima qualidade. É impossível um telespetador seguir tanta informação e previsão, para tudo poder mudar de súbito. Não imagino as cabeças dos nossos governantes e autarcas nesta segunda vaga. Ou “onda”, como alguns já dizem. São estudados os padrões com graus de incerteza. Ninguém tem uma bola de cristal, mas todos parecem trazer o seu baralho de tarot. Com todo o respeito, acho já desumano para todos estar em cima das “últimas” da pandemia. Não seria melhor substituir a previsão meteorológica por um boletim de risco diário? É tecnicamente possível? A APP StayAway Covid foi um flop, está visto que os registos não chegam nem para uma amostra científica. O esgotamento da era do “covidismo” (regime político comandado pela Covid) é grande e, muitos de nós, começamos a precisar de ter escapes. Que horror foi passar mais um fim de semana de sol resplandecente sem cão para passear, a ver séries e a cozinhar. E ainda estamos a meio da “segunda vaga”. Está quase a fazer um ano que brinquei com uma amiga por se chamar “Carona”. “Da piada já não me livro”, dizia-me ela, nos últimos anos de 2019. Que saudades quando Whuan era só mais um destino onde claro, tinha de estar um português... Que saudades de circular sem máscara e de não ter medo de visitar os meus pais. Ou eles, medo de serem visitados. Para já, ainda é um assunto “tabu”. É chato dizer que temos medo de infetar, ou é pior ouvir “não nos infetem”. Não sei, mas convinha existir já uma campanha bem feita para ninguém sair magoado. Cá por mim, acho melhor o diálogo.

(Crónica publicada na revista Lux 1074 de 30 de novembro)

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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