A comédia dramática “O Figurante” traz o actor Mateus Solano no papel de um figurante que passa a questionar sua própria existência e o seu lugar num mundo que parece mantê-lo em segundo plano. Com encenação de Miguel Thiré, que volta a colaborar com Mateus Solano após o sucesso de “Selfie” — espectáculo que esgotou teatros de 2014 a 2018 — conta também com a colaboração de Mateus Solano e Isabel Teixeira na dramaturgia.
A história mergulha na rotina de Augusto, um figurante que luta para se encontrar a si próprio no meio de uma rotina pobre de sentido, que o mantém num lugar muito aquém da sua potência como ser humano. “O Figurante” reflete sobre a dificuldade de se conectar com a própria essência e sobre os desafios de assumir o controle da própria narrativa. “Somos um animal que cria histórias para viver e um mundo para acreditar. Na ânsia em fazer parte desse mundo, acabamos por nos afastar de nós mesmos a ponto de não saber se somos protagonistas ou figurantes de nossa própria história”, reflecte Mateus Solano.
A dramaturgia foi construída a partir do método Escrita na Cena, desenvolvido por Isabel Teixeira, que estimulou o actor a explorar a sua própria criatividade por meio de improvisos. As cenas criadas por Mateus foram gravadas, transcritas e reelaboradas por Isabel para compor o texto final, preservando a autenticidade das reflexões da personagem.
“Actores e actrizes escrevem no ar da cena, onde vírgula é respiração e texto é palavra dita e depois encarnada no papel. Essa é a tinta de base usada para escrever ‘O Figurante’. Partimos de improvisos de Mateus Solano e posteriormente mergulhamos no árduo e delicioso trabalho de composição e estruturação dramatúrgica. ‘O Figurante’ coloca no centro o que normalmente é deixado de lado, ampliando o olhar para o que muitas vezes passa despercebido”, explica Isabel Teixeira.
A peça dá continuidade à pesquisa de linguagem desenvolvida há anos por Miguel Thiré e Mateus Solano: uma encenação essencial, que se vale basicamente do corpo e da voz como balizas do jogo cénico. No palco nu, Mateus dá vida ao Figurante e demais personagens através do trabalho mímico.
“Sempre acreditei em um teatro que debate directo com a sociedade, que toca o público. O que queremos dizer? Como vamos dizer? Neste quinto trabalho juntos, ao invés de dividirmos o palco, passo eu para esse lugar de ‘espectador profissional’ que é a direcção. Acompanho o trabalho desse brilhante actor (Mateus Solano) que dá vida a um outro actor (o personagem) que, por sua vez, não consegue brilhar. “O Figurante busca colocar o foco onde normalmente não há. O trabalho é fazer este personagem quase desaparecer, estar fora de foco, ser parte do cenário”, explica Miguel Thiré, encenador.
Ficha Técnica:
Dramaturgia: Isabel Teixeira, Mateus Solano e Miguel Thiré. Com: Mateus Solano. Direcção: Miguel Thiré. Direcção de Produção: Carlos Grun. Direcção de Movimento: Toni Rodrigues Desenho de Luz: Daniela Sanches. Direcção Musical e Música Original: João Thiré. Design Gráfico: Rita Ariani. Desenho de Som: João Thiré. Fotos: Guto Costa. Equipa de Produção: Flavia Espírito Santo, Glauce Guima, Kakau Berredo e Cleidinaldo Alves. Idealização e Realização: Mateus Solano, Miguel Thiré e Carlos Grun. Produção: Bem Legal Produções. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.
Miguel Thiré – Director e Co-autor
Miguel Thiré, nascido em 1982 no Rio de Janeiro, é filho do actor Cecil Thiré e neto da actriz Tônia Carrero. Desde os 10 anos, iniciou sua formação no teatro n’O Tablado e, desde então, tem vindo a destacar-se nas artes cénicas, com passagens por teatro, cinema e televisão.
No teatro, trabalhou em peças como “Tango, “Bolero e Chá-chá-chá “e “A Babá”, ambas sob direção de Bibi Ferreira, e em “Otelo”, dirigida e estrelada por Diogo Vilela. Também actuou em Série “21”, dirigida por Jefferson Miranda, e em “Macbeth”, sob a direção de Aderbal Freire-Filho. Outros trabalhos notáveis incluem “Os Altruístas” e “O Homem Travesseiro”, pelo qual ganhou o prémio de melhor actor secundário no FITA 2013.
Na televisão, esteve presente em novelas como “Porto dos Milagres”, “Malhação”, “Em Família”, “Paixões Proibidas” e “Poder Paralelo”, além da série “Copa Hotel”. Como encenador, a sua carreira inclui peças como “Doutor, minha filha não para de dançar”, ao lado de Mateus Solano, e a criação de “Superiores”, premiada no festival de Campos dos Goytacazes.
Isabel Teixeira– Coautora
Isabel Teixeira é encenadora, dramaturga e actriz, formada pela EAD. Fundadora da Cia. Livre de Teatro, destacou-se em peças como “Toda Nudez Será Castigada” e “Um Bonde Chamado Desejo”, sendo indicada ao prémio Shell de melhor actriz em 2002. Em 2005, coordenou o projecto Arena Conta Arena 50 Anos, premiado com o Shell e o APCA.
Ela também actuou em peças como “Gaivota”, “Rainha[(S)]” (prêmio Shell de melhor atriz em 2009), e “O Livro de Itens do Paciente Estevão”. Em 2013, dirigiu o monólogo “Desarticulações”, com Regina Braga, e o espectáculo “Tudo Esclarecido”, com Zélia Duncan.
Como encenadora, os seus projetos incluem “Puzzle (a, b, c e d)”, “Fim de Jogo”, com Renato Borghi, e “Lovlovlov”, peça com texto de Teixeira, Diego Marchioro e Fernando de Proença. Entre 2014 e 2020, fez digressão com a peça “E Se Elas Fossem para Moscou?”, que foi exibida em diversos países. Em 2024, Teixeira dirige a Cia Munguzá no projecto “Linhas” e colabora na dramaturgia de “O Figurante”.
Mateus Solano – Actor e Autor
Mateus Solano é um dos mais premiados actores da televisão e teatro. Ele recebeu dois Troféus Imprensa, um Prêmio APCA e o Prêmio Bibi Ferreira. Formado em Artes Cénicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, iniciou sua carreira no teatro com “O Homem que Era Sábado”, de Pedro Brício, em 2003.
Solano tornou-se um nome conhecido ao interpretar Ronaldo Bôscoli na minissérie “Maysa - Quando Fala o Coração” (2009). No mesmo ano, iniciou sua trajectória nas novelas com os gémeos Jorge e Miguel em “Viver a Vida”. Outros destaques na televisão incluem “Morde & Assopra”, “Gabriela, Amor à Vida” (onde interpretou o vilão Félix, marcando a história da teledramaturgia) e “Elas Por Elas”.
Nos palcos, Mateus esteve em peças como “Tudo é Permitido”, “O Perfeito Cozinheiro das Almas desse Mundo” e “2 p/ Viagem” (com Miguel Thiré), além de actuar em “Hamlet” e “Selfie”. No cinema, participou em “Linha de Passe” (2008), exibido em Cannes, e recebeu prémios de Melhor Actor em festivais de cinema. Solano também participou em filmes como “Confia em Mim” e “Benzinho”.
Digressão:
4 Fevereiro a 1 de Março – Teatro Maria Matos, Lisboa
5 a 8 de Março – Teatro Sá da Bandeira, Porto
14 de Março – Tema – Teatro Municipal de Oliveira de Azeméis
15 de Março – Emergente Centro Cultural, Marco de Canavezes
19 de Março – Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
20 de Março – Teatro das Figuras, Faro
27 de Março – CAE – Grande Auditório, Figueira da Foz
28 de Março – Teatro Aveirense, Aveiro







