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Nacional
Matilde Breyner abre o coração: 'Permitam-se viver a vossa dor mas não se fechem numa bolha'
Matilde Breyner
Redação Lux em 11 de Outubro de 2022 às 14:37

Matilde Breyner, que sofreu uma perda gestacional no início deste verão, durante o segundo trimestre da gravidez, partilhou um texto emotivo no dia 8 de outubro, data em que estava previsto o nascimento de Zoe, dirigido às famílias e às mulheres que passam pela mesma situação.

A atriz evidenciou o importante que foi para si e para o marido, Tiago Felizardo, ouvir os testemunhos de quatro amigas que tinham passado por isso. "Não há certos nem errados na maneira como se vive o parto de um filho que não vem para casa connosco mas, quem sabe, este post possa fazer por alguém o mesmo que estas 4 Mulheres fizeram por nós", escreveu enunciando alguns conselhos como "ter apoio psicológico uns dias antes do parto" e "enfrentar todos os nossos medos no dia do parto". "Foi isso que fizemos. O parto foi o momento mais bonito e poderoso que vivi na minha vida. Pegámos na nossa filha, demos-lhe muito amor, muitos beijos e despedimo-nos dela como queríamos. Fomos buscar forças ao Amor que sentimos por ela. Mas também ao Amor que recebemos da nossa família e amigos".

"Permitam-se viver a vossa dor mas não se fechem numa bolha. A perda gestacional, seja ela causada porque motivo for, não pode ser um assunto tabu. A todas as Mulheres que passam por isto, recebam o meu abraço infinito".

"Outubro é o mês da consciencialização para a perda gestacional. Dia 8 de Outubro, o dia que estava apontado para o nascimento da nossa filha. Pensei muito no que queria escrever aqui hoje. Tive vontade de não partilhar nada, vontade de partilhar tudo, até que decidi esperar que o dia chegasse e escrever o que me vai no coração. Escrevo sobretudo por todas as famílias, por todas as mulheres, que vão ou que estão a passar pelo mesmo que nós. Foi muito importante para mim e para o Tiago ouvir o testemunho de outras pessoas para percebermos como é que se faz este caminho. Falei com quatro amigas minhas que, assim que lhes liguei, já estavam a bater à porta de nossa casa para abrir o coração connosco. Também elas já tinham passado por isto e foi através da partilha que encontrámos um rumo. Não há certos nem errados na maneira como se vive o parto de um filho que não vem para casa connosco mas, quem sabe, este post possa fazer por alguém o mesmo que estas 4 Mulheres fizeram por nós. O primeiro passo foi começar a ter apoio psicológico uns dias antes do parto. A @joanamartins_pt deu-nos um conselho precioso que decidimos seguir à risca: enfrentar todos os nossos medos no dia do parto. Foi isso que fizemos. O parto foi o momento mais bonito e poderoso que vivi na minha vida. Pegámos na nossa filha, demos-lhe muito amor, muitos beijos e despedimo-nos dela como queríamos. Fomos buscar forças ao Amor que sentimos por ela. Mas também ao Amor que recebemos da nossa família e amigos, com quem rimos e chorámos, que nos deram colo, que nos trouxeram comida e que nos encheram a casa de flores. Esta fotografia simboliza isso tudo. Foi tirada pelo Tiago no momento em que os nossos irmãos e amigos apareceram na janela da Maternidade para dizerem que estavam ali connosco.

Permitam-se viver a vossa dor mas não se fechem numa bolha. A perda gestacional, seja ela causada porque motivo for, não pode ser um assunto tabu. A todas as Mulheres que passam por isto, recebam o meu abraço infinito.

Hoje está um dia lindo."

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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