A morte de Clara Pinto Correia, escritora, bióloga e professora universitária, aos 65 anos, deixou o país em choque no dia 9 de dezembro de 2025, quando foi encontrada sem vida na sua casa em Estremoz. No próprio dia, o site Página Um publicou a última crónica que a autora escreveu, intitulada “Acredito na Filosofia”, onde revelava ter sofrido um AVC no verão desse ano.
Na crónica, datada do início de novembro, confessava “tive um AVC no fim do Verão”, explicando que desconhecia que as sequelas podiam prolongar-se por meses. Relatou inclusive que, após receber alta hospitalar, regressou de imediato à praia por indicação médica e acreditou que o episódio estivesse totalmente ultrapassado. Só no Algarve, onde passava férias com uma amiga, percebeu que algo não estava bem, o que a levou a procurar cuidados de saúde. Segundo escreveu, “foram três dias de praia e cinco dias de hospital”, passando por Lagos e depois por Portimão, onde demorou dois dias a recuperar a fala e a capacidade de andar.
Além desta revelação, outra crónica publicada semanas antes no Página Um, intitulada “Me too”, teve grande impacto. Nela, a autora revelou ter sido vítima de violação cinco anos antes, num episódio que descreveu de forma extremamente emotiva. Escreveu que fora atacada numa noite de Natal, enquanto tentava regressar a Estremoz: “Fiquei traumatizada até ao mais fundo do meu coração por um janado que me violou na Malorada numa noite de chuva, com a complacência do Guarda da Estação.”
Até ao momento, continuam por esclarecer oficialmente as circunstâncias da morte de Clara Pinto Correia. Segundo a SIC, as primeiras indicações apontam para um possível “episódio de doença súbita”.







