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Tigre de Papel lança mais um volume de três textos inéditos de Salette Tavares: O Kágado.
Tigre de Papel lança mais um volume de três textos inéditos de Salette Tavares: O Kágado
Redação Lux em 22 de Novembro de 2019 às 09:56

Depois da publicação, em 2017, de uma edição fac-simile de Lex Icon, obra fundamental da poesia experimental portuguesa, publicada em 1971 e há muito esgotada, e dos inéditos Outro Outro e Irrar, em Junho de 2019, a Tigre de Papel lança agora mais um volume de três textos inéditos de Salette Tavares: O Kágado.

Além do texto que dá título ao volume, original da Primavera de 1962, os dois outros textos são «Baile Mecânico», de Abril de 1956, e «Anonimatógafo: Cenário para uma obra espacialista», de Setembro de 1962.

Como afirma Manuel Portela, no prefácio ao livro, estes três textos «mostram a imaginação intermedial da autora, isto é, a sua capacidade para explorar a transfiguração da escrita na relação com outros códigos e linguagens artísticas (teatro, cinema, ópera) e na relação desses códigos com dispositivos mediais como o telefone ou a câmara de filmar ou a máquina de projetar ou o rádio portátil. A experimentação com a linguagem verbal e com os processos de mediação técnica evidencia a sua familiaridade com a arte modernista – surrealismo e cinema abstrato, por exemplo –, e com as correntes e práticas artísticas da época, como o teatro do absurdo e a música concreta. Mais significativa do que a mera sintonia com as neovanguardas das décadas de 1950 e 1960, é a vivacidade bem-humorada do uso da paronomásia, da associação de ideias e da justaposição de imagens e ações para abrir brechas na lógica uniformizadora da língua e instaurar perspetivas improváveis e libertadoras. É este compromisso radical da artista com os atos de dizer o não-dito, mostrar o não-mostrado e ver o não-visto, ao mesmo tempo político e lúdico, que os três divertimentos nos proporcionam.»

A apresentação do livro será feita por Manuel Portela.

A sessão, terça-feira, 3 de Dezembro, às 18h, na livraria Tigre de Papel (entrada livre) inclui igualmente uma leitura encenada por José Neves (produção Teatro do Calafrio).

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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