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Nacional
Catarina Furtado confessa como está a viver o drama da guerra em família
Catarina Furtado Foto: Artur Lourenço/Lux
Redação Lux em 24 de Março de 2022 às 09:31

Catarina Furtado recebeu o Prémio 5 Estrelas na categoria de Solidariedade. Apesar de não ser a primeira vez que vence nesta categoria, a apresentadora confessou que ficou “particularmente sensibilizada”, uma vez que esta distinção “significa que quem acompanha o meu percurso reconhece a urgência que há em mim em querer que a minha passagem por esta vida tenha um propósito maior que as minhas próprias conquistas. É a minha missão de vida, a continuação da minha condição de mulher, mãe, comunicadora, cidadã”.

Sensível ao flagelo por que passa a Ucrânia e nomeadamente as mulheres em dramática situação de guerra, a Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA)  e Presidente da Associação Corações sem Coroa, registou este prémio com uma dedicatória especial: “Dedico-o a todas as mulheres que neste preciso momento fogem à guerra tentando salvar os seus filhos, fogem de qualquer tipo de violência, fogem da discriminação, da dor insuportável”. À Lux, Catarina Furtado destaca a promessa de continuar a consagrar o seu ativismo “com elas no coração e na ação!”.

Lux – Dedicou este prémio a todas as mulheres que fogem à guerra tentando salvar os seus filhos. O que significa para si receber esta distinção?
Catarina Furtado – É uma honra receber este prémio pela terceira vez e por decisão do público, sobretudo por ser a categoria de solidariedade. Eu tenho um enorme privilégio de fazer o que amo e de conseguir, através da minha profissão , passar muitas das mensagens que acredito poderem transformar este país e o mundo num lugar mais justo, saudável, inclusivo , igualitário, pacífico. Ganhar em Solidariedade significa que vai para lá da minha profissão de comunicadora, representa a minha missão de vida , na minha condição de mulher, cidadã, mãe, ativista, voluntária, embaixadora de Boa Vontade do UNFPA e Presidente da Corações Com Coroa.

Lux – Como Embaixadora de Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA)  e Presidente da Associação Corações sem Coroa que tipo de mobilização faz no apoio à Ucrânia e que tipo de ajuda incentiva aos nossos leitores? No fundo, o que pode cada um de nos fazer?
C.F. – Tenho apoiado a divulgação do apelo de necessidades financeiras para que o UNFPA Ucrânia consiga responder a tanta procura. Promovo a urgência para que a população em geral faça donativos para quem está no terreno. ONGS locais ou internacionais porque estão muito habituadas a gerir estas crises e têm muita experiência na gestão dos recursos e na eficácia da sua implementação. Existem neste momento 9 milhões e 400 mulheres em idade reprodutiva, cerca de 265.000 grávidas e estão previstos 80.000 nascimentos nos próximos três meses. São vidas em tempo de morte. A UNFPA Moldova distribuiu até agora 2,300 dignity kits de higiene (também produtos menstruação)  a raparigas e  mulheres nos centros de acolhimento temporários espalhados pelo país . Em parceria com a ONG local La Strada, está a dar apoio psicológico às sobreviventes de violência com base no género, mas não só em 20 centos. E a minha associação Corações Com Coroa, (CCC)  fez  uma parceria com um grupo espontâneo de cidadãos “Missão Ucrânia CCC” e iremos apoiar através do nosso atendimento gratuito diário mulheres e crianças com consultas de psicologia, serviço social, apoio legal e afins, para além de outras necessidades que possam surgir para estas cerca de 200 pessoas que vão chegar para a semana. Quem quer ajudar poderá contribuir diretamente para o UNFPA, para CCC e é importante também se  inscreva na plataforma We Help Ukraine (https://www.wehelpukraine.org/)
 

Lux – Como estão a viver esta situação da guerra da Ucrânia em casa? Como reagem os seus filhos?
C.F. – É inevitável que, com dois adolescentes, tentemos explicar já algumas questões importantes mas ao mesmo tempo temos consciência da ansiedade e estado de impotência, angústia e  tristeza que poderá trazer e por isso tentamos fazer um equilíbrio da partilha de informação e não temos sempre os meios de comunicação ligados para podermos controlar a sanidade mental.

Lux – Como vê a atuação do presidente Zelensky e também da sua mulher, Olena Zelenska, que deixou uma carta aberta a denunciar o “assassinato de civis pacifícos”, a condição das mulheres e crianças com a advertência de que  “Se não pararmos Putin, que está a ameaçar uma guerra nuclear, não haverá lugar seguro no mundo”?
C.F. – Vejo obviamente com muita preocupação. É deveras perigoso e a diplomacia esta a falhar. A questão do género é sempre terrível porque de facto, até durante as guerras as mulheres continuam a ter filhos (em condições extremamente indignas) e a violência acontece com violações e abusos sexuais.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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