Aos 42 anos, Marisa Liz fala cada vez com mais naturalidade sobre a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA), uma condição com que sempre conviveu, mas que só foi oficialmente diagnosticada aos 34.
Em conversa com Catarina Marques Rodrigues no programa Dona da Casa, da Antena 3, a cantora revisitou momentos marcantes da infância e adolescência, nomeadamente os desafios na escola e a sensação constante de desconexão: “Os primeiros anos da primária e secundária foram horríveis para mim. Estava a lidar com a morte do meu pai, tinha só oito anos, e não percebia várias expressões das pessoas, não me conseguia concentrar nas aulas.”
Marisa lembrou como, em criança, se sentia incompreendida: “Ouvia ‘não aprendes porque não queres’, e eu pensava: ‘mas eu quero, simplesmente não consigo’. ”Houve colegas que a apelidaram de “burra”, mas começou a perceber que havia áreas — como a música — onde o seu desempenho era excecional.
O diagnóstico, feito há cerca de oito anos, veio trazer respostas, mas também um choque inicial.
“Foi um baque para mim, mas os meus amigos e família não ficaram surpreendidos.”
A artista decidiu então abraçar esta nova perspetiva e focar-se não apenas nas dificuldades, mas também nas potencialidades da PHDA: “Comecei a ver como uma incapacidade… e depois como um superpoder.”
Para Marisa, a rapidez com que consegue reagir a mudanças e resolver problemas é uma dessas forças: “Tenho muita facilidade em arranjar soluções. Se um plano falha, eu sou rápida emocional e racionalmente a dizer ‘ok, não dá, bora fazer assim’.”
Apesar dos desafios do dia a dia, a vocalista dos Amor Electro continua a transformar o que podia ser um obstáculo numa alavanca criativa e humana. “Faço um esforço gigante para fazer coisas simples, mas aprendi a reconhecer e valorizar o meu caminho.”







