Ainda internado no Hospital Egas Moniz, onde continua a recuperar do AVC isquémico sofrido na semana passada, Nuno Markl, voltou, na manhã de quarta-feira a ouvir-se nas “Manhãs da Comercial”. A intervenção, feita por telefone, marcou o seu primeiro regresso ao direto num momento carregado de emoção, mas também de muitas gargalhadas.
Logo ao entrar em antena com Pedro Ribeiro, Vera Fernandes, Vasco Palmeirim e Manuel Cardoso, deixou o aviso com a sinceridade desarmante que o caracteriza: "Bom dia. Título deste episódio: Estou vivo. Atenção eu quero começar por avisar que ando muito emocional e choro por tudo e por nada e pode acontecer nesta edição ir-me abaixo. Aliás, Pedro Ribeiro e Vera Fernandes já assistiram a isso. Estou chorão. Sou essa pessoa agora, vão ter de lidar com isso"
Com o seu humor habitual, o radialista revelou: “Tenho muita coisa para contar, obviamente. E quero agradecer, uma vez mais, ao meu filho porque se não fosse ele eu não estaria aqui. Foi um orgulho tudo aquilo que ele fez porque para quem não sabe em que consiste um AVC pode acontecer de várias maneiras. No meu caso foi da forma mais deprimente que pode acontecer porque eu estava a fazer cocó. Não é um sítio decente para estar a ter um AVC. Percebi que não me conseguia levantar da sanita e não conseguia mexer-me então acabei penosamente e ainda com as calças para baixo arrastar-me para o chão da casa de banho. Aí eu achei se calhar tenho de chamar o meu filho”, recordou.
“Eu não o queria assustar de forma nenhuma. Parecia um bêbado a falar e ele chega e vê-me naqueles preparos. O sangue frio que ele manteve em toda a situação e apesar de eu estar a dizer ‘calma, calma, isto é uma coisa que se resolve’ e ele diz ‘não, vou ligar para o 112’. Ele liga e dou por ele a explicar tudo detalhadamente o que está a acontecer e preocupado comigo e que a minha cabeça está muito para baixo, que preciso de uma almofada… Depois chegam os bombeiros – e um abraço para os bombeiros da Parede – e ele a explicar aos bombeiros e há um momento em que percebo vou ter de deixar cair algumas coisas, nomeadamente, a dignidade. Há um momento em que o bombeiro diz para a colega ‘ok, temos incontinência’ e eu a tentar explicar ‘calma, calma, é que eu estava sentado na sanita não sou incontinente’. Eu já não sei quantas pessoas me viram nu desde que isto começou e tudo isso são coisas que se tem de deixar cair e temos de ser humildes”, contou voltando a emocionar-se ao falar do filho, Pedro, de 16 anos: "Sem ele não estaria aqui.Comove-me muito pensar que foi este mini-gajinho, entretanto já um gajo, que me salvou a vida."
Nuno Markl contou também o momento divertido em que o bombeiro para tranquilizar vizinhos disse ‘calma, é só uma dor de dentes’.
Apesar da fragilidade, o humor de sempre continuou presente. E a determinação também. Markl fez questão de sublinhar a importância dos cuidados médicos e da ciência na sua recuperação: "Estou vivo porque existem médicos, medicina e ciência. Não liguem a imbecis, não lhes deem palco, por amor de Deus." Pediu ainda que as pessoas se informem sobre o AVC, lembrando que "pode acontecer a qualquer pessoa".







