Nacional
Redação Lux em 29 de Novembro de 2019 às 12:00
Fotos: Estreia da nova temporada de “Conta-me Como Foi”

“Conta-me Como Foi” está de regresso 10 anos depois.

A partir de dia 7 de dezembro, a saga da família Lopes parecia ter encontrado uma conclusão a 25 de Abril de 1974... Mas retoma agora, passado uma década, para encontrarmos os nossos velhos conhecidos a viver o turbilhão que é o País nos anos 80: A década em que Portugal se modernizou, entrou para a CEE e, em muitos aspetos, se tornou no País que conhecemos hoje.

A ação inicia-se em janeiro de 1984. A família Lopes cresceu. Ao patriarca sonhador, António, a Margarida, a mãe carinhosa, a Hermínia, a voz da experiência e aos filhos agora adultos Isabel, Toni e Carlos juntam-se Susana, uma adolescente de 13 anos que António e Margarida adotaram em criança, assim como Simão e Vítor, os filhos de Toni e de Isabel, respetivamente. Uns mais independentes do que outros, todos construíram vida no novo bairro e, a este núcleo duro da família, juntou-se o primo Zé. Regressado de França após a revolução, Zé é a personificação do português “desenrasca” e bem-disposto, que vê em António um exemplo e um irmão mais velho.

“Conta-me como foi” continua a ser narrado pela voz adulta de Carlos, mas é agora o seu olhar de jovem de 23 anos e não o de criança de 8 quem nos guia pelas histórias da sua família, assim como pelos factos sociais, económicos e políticos que marcaram a década de 80 em Portugal e no Mundo.

Recorrendo, como antes, a arquivos e reconstituições de conteúdos da rádio e da televisão, juntam-se a esta era novidades tecnológicas como o vídeo beta e VHS, os primeiros computadores portáteis com o ZX Spectrum ou o Compact Disk. A narrativa de Carlos torna-se mais viva e, tal como a televisão em 1980, troca o preto-branco pela cor.

Apresenta-se na história um Portugal em transição e crescimento. Da saída do FMI à entrada na CEE. Da banqueira do povo ao acalmar do panorama político que atingia a maturidade democrática. Uma evolução social presente na música, no cinema e na moda, através dos cabelos e das roupas, mas também na televisão, com um novo tipo de comédia como “O Tal Canal”, concursos como o “1, 2, 3” e a descoberta da telenovela em Português. É um país atrativo para uma geração mais jovem, com a sua vida noturna e o fenómeno dos grandes centros comerciais, mas que ainda se junta aos mais velhos para celebrar as grandes vitórias, como os triunfos desportivos nas Olimpíadas de 84.

Através da família Lopes, o “Conta-me Como Foi” mantém o objetivo de retratar, em forma de ficção, a vida e o país; sem espírito saudosista, sem abordagens moralistas, sem juízos de valor, sem tomar partido por nenhum lado da história, sem aspirações documentalistas; com a ambição de entreter, com a vontade de mostrar e dar a conhecer o passado recente, com a certeza de ser uma oportunidade descontraída de recordar, rever e reviver um tempo que ainda faz parte da história pessoal das famílias portuguesas.

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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