Nacional
Natália Ribeiro em 15 de Maio de 2017 às 11:08
Judite Sousa reconhece que precisou de ajuda médica depois da morte do filho

Quando o seu único filho morreu, a 29 de junho de 2014, Judite Sousa viu o seu mundo ruir. Muitos temeram que jamais conseguisse reerguer-se da tragédia de ter perdido André Sousa Bessa aos 29 anos, mas três anos depois a jornalista mostra toda a sua força.

No seu novo livro, “Pensar. Sentir. Viver”, Judite Sousa conversa com Diogo Telles Correia sobre os misteriosos caminhos da mente.

A jornalista da TVI apoiou-se no psiquiatra para conseguir levantar-se.

“Embora não a conhecesse pessoalmente, antes já empatizava com a sua luta, que sei, por experiência profissional, ser dos desafios existenciais mais difíceis de travar: sobreviver à morte de um filho. Gostei de a conhecer, uma mulher forte, decidida e que, apesar de tudo, continuava a querer lutar, por ela e pela memória do seu próprio filho“, explica Diogo Telles Correia na obra.

Judite Sousa abre o coração e mostra a sua dor.

“Em 2014, fui amputada do meu bem mais querido. Os filhos que perdem os pais são órfãos. Os pais que perdem os filhos são o quê? Não há palavra, olhar, gesto, que seja capaz de dizer aos outros a dimensão da dor, do sofrimento psicológico e físico. Infelizmente, na sofreguidão com que percorremos este trajeto sem sentido, só alcançamos a dimensão do nosso vazio quando paramos. E eu parei. Fui obrigada a pôr muita coisa em causa e a reformular a minha existência. Deparei-me com uma dor inigualável, que não tem cor, não tem forma, mas existe dentro de mim. Apercebi-me de que vivemos rodeados de pessoas que sofrem mentalmente, com ansiedade, com depressão ou com situações mais graves, que a todo o momento não encontram solução senão abandonar este mundo”, confidencia.

E assume que precisou de ajuda médica para conseguir recomeçar a viver.

“É importante aceitarmos que precisamos de ajuda. Esse é o primeiro passo para ultrapassarmos as nossas fases mais escuras”, revela. 

A jornalista revelou recentemente numa entrevista que estava numa festa no Estoril, no dia em que o filho sofreu o trágico acidente na piscina e que ficou subitamente maldisposta. Judite Sousa assume que pressentiu que alguma coisa grave tinha acontecido e que quando recebeu o telefonema do melhor amigo do filho a contar que André estava no hospital, algo lhe disse que o filho já não estava vivo.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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