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Nacional
Redação Lux  com Cátia Soares em 8 de Janeiro de 2014 às 16:40
Conheça João Matias, o 1º modelo português em cadeira de rodas
Sonhar, acreditar, trabalhar e superar são palavras de ordem para João Matias, o 1º modelo português em cadeira de rodas.

Agenciado atualmente pela FADO Models, onde exerce também funções de booker, o jovem assume-se ainda como um amante de desporto e é cada vez mais requisitado para palestras motivacionais. «O fácil nunca me atraiu» tem sido o lema de vida deste jovem de 26 anos, que nasceu com uma malformação congénita.

De que forma a doença tem influenciado a sua vida?

Costumo dizer que não é doença. É mais uma característica minha, de nome Spina Bifída, que me impossibilita de andar. É gerada nos 2 primeiros meses de gestação e, no meu caso, só foi diagnosticada à nascença. É do foro neurológico, e por isso fui operado (e salvo) com apenas uma hora de vida pelas mãos do Dr. Gentil Martins, um dos mais respeitados cirurgiões europeus. Hoje tenho uma vida autónoma, independentemente desta minha característica, e ganhei uma melhor amiga: a minha cadeira de rodas.

É fácil ser modelo em cadeira de rodas, em Portugal?

Fui pioneiro, e para os primeiros é sempre mais difícil. Mas é um orgulho poder mostrar ao mundo que, com muito esforço, trabalho e vontade, tudo se consegue. Acredito que ainda vou surpreender muita gente no mundo da moda. Já vi muito modelo com cara bonita e corpo cuidado que não venceu, que caiu... e porquê?! Moda é atitude! Na Europa há muito poucos modelos em cadeira de rodas. No Brasil existem alguns. Recordo-me particularmente de uma marca brasileira ter juntado o Fernando Fernandes [modelo paraplégico] e a Cléo Pires. Em Portugal... estou à espera que o meu telefone toque!

Como surgiu a oportunidade de se tornar modelo?

Comecei num desfile em Sesimbra, onde tive a oportunidade de conhecer o modelo brasileiro Fernando Fernandes, que me incentivou a ir mais além no mundo da moda, pois viu em mim perfil e atitude para vencer. Após o desfile, fui descoberto pelo fotógrafo Nuno Fernando Pereira e fizemos umas fotos, que, quase por brincadeira, foram submetidas a várias agências de moda em Portugal.

Alguma vez sentiu algum tipo de preconceito?

Um modelo profissional tem de saber, antes de tudo, aceitar um «não». Tem de saber aceitar que pode não ser a escolha de determinado cliente para determinado trabalho, mas haverá sempre outra oportunidade. O que eu não aceito, e nunca aceitei, é aquelas pessoas que um dia me disseram: «Não tens mercado!». Por vezes, sinto é que há, da parte de alguns, a falta de aposta, talvez por desconhecimento da minha forma de trabalhar. Um dos meus objetivos é, sem dúvida, mostrar que consigo ser tão bom ou melhor do que um modelo em posição de pé, pois eu também fotografo fora da minha cadeira de rodas. Aliás, foi assim mesmo que comecei a minha carreira, porque, ao início, senti necessidade de mostrar que também era uma opção válida fora da cadeira de rodas. A nível de desfiles ainda há um caminho a percorrer, mas acredito que esta barreira será também superada muito em breve.

Além da moda, tem também outra paixão: o ténis...

São duas grandes paixões da minha vida. No desporto, tenho o sonho de ser também o primeiro português a representar Portugal nos Jogos Paralímpicos em Ténis e treino para estar presente no Brasil em 2016.

Fale-nos sobre o documentário que vai lançar

O filme será exibido em vários pontos dos país e a ideia é também passar do cinema para telefilme, e sempre com perspetivas de internacionalizar o «Born To Fly». Terá momentos de emoção, ação, comédia e até romantismo. Irá abordar os meus mais íntimos pensamentos, sem filtros, de forma real. Como o meu realizador, Alberto Rocco, diz: «O João não nasceu para andar, nasceu para voar».
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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