PUB
PUB
Notícias
Apito: Pinto da Costa em julgamento
Pinto da Costa e Carolina Salgado
Cláudia Rosenbusch em 2 de Março de 2009 às 16:35
Pinto da Costa começa esta terça-feira a ser julgado, no Tribunal de Gaia, no «caso do envelope», Apito Dourado, referente ao jogo Beira-Mar/F.C. Porto, em que o arguido é acusado de entregar 2500 euros ao árbitro Augusto Duarte para beneficiar o clube do Dragão.

O presidente do Futebol Clube do Porto responde por um crime de corrupção desportiva activa. Pelo mesmo crime responde também o empresário de futebol António Araújo. Por seu lado, o árbitro Augusto Duarte é acusado pelo crime na forma passiva.

O processo vai ser julgado por um juiz singular, neste caso a juíza titular do primeiro juízo do Tribunal de Gaia. A corrupção desportiva é punível com prisão até quatro anos, na forma activa, e até dois anos, na forma passiva.

Em causa está o jogo Beira-Mar/FC Porto, realizado a 18 de Abril de 2004, a contar para a Época 2003/04.

A acusação sustenta que o empresário António Araújo terá levado o árbitro Augusto Duarte ao encontro do presidente do FCP, na casa deste último, em Gaia, a dois dias da penúltima jornada que culminou com o título de campeão nacional para os azuis e brancos. Uma visita que alegadamente se destinava a aliciar o árbitro a beneficiar o FCP.

A juíza de instrução Anabela Tenreiro, que decidiu levar o caso a julgamento, registou no despacho de pronúncia a «maior estranheza» pelo facto de nenhum dos três arguidos ter apresentado uma explicação plausível para o seu encontro na residência do presidente do FC Porto.

Quando foi ouvido em interrogatório judicial, em Gondomar, Augusto Duarte não soube explicar por que motivo se deslocou a casa de Pinto da Costa na antevéspera do jogo, tanto mais que afirmara nem sequer ter intimidade com o líder portista.

Na versão do presidente do FCP, o encontro teria sido motivado por «um cafezinho e uma conversa sobre nada» e que até teria sido inconveniente, dado que a sua companheira, Carolina Salgado, se encontrava doente. O árbitro, por seu lado, referiu que Carolina lhe abriu a porta e até lhe mostrou os cães da família.

Os depoimentos de Carolina Salgado foram decisivos para a acusação do processo, nomeadamente, quando referiu ter visto Pinto da Costa entregar um envelope com 2500 euros em dinheiro ao árbitro Augusto Duarte, aquando da visita deste à sua casa. A juíza não acolheu os argumentos de falta de credibilidade ou tentativa de vingança por parte da testemunha.

O jogo saldou-se por um empate 0-0 e nessa sequência Pinto da Costa é escutado a conversar com o então presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, Pinto de Sousa, a quem diz que o árbitro «também não esteve mal mas não deu cheirinho nenhum, nada» «Só nos deixou passar uns livres, o gajo».

O processo tinha sido arquivado pelo Ministério Público de Gaia, em 2006, por falta de indícios, mas foi reaberto em Fevereiro de 2007 pela Equipa de Maria José Morgado.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
Comentários

PUB
pub
PUB
Outros títulos desta secção