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Judite Sousa despreza movimento MeToo: 'Essas ‘assediadas’ tinham poder para dizerem que sim ou que não'
CROP Judite Sousa - Gala Troféus de Televisão 2017 TV 7 Dias Foto: João Cabral/Lux
Vasco Pereira em 3 de Abril de 2018 às 10:00

"Não tenciono perder um segundo do meu tempo a falar de um tema que entrou há alguns meses na agenda: o hashtag Me Too.”

Foi desta forma direta que Judite Sousa lançou a polémica nas redes sociais, ao manifestar a sua opinião acerca do movimento contra o assédio sexual, que tem vindo a ganhar força nos EUA. Aproveitando para anunciar que tem novidades para breve e que “hoje em dia, é imperativo estar presente noutras plataformas comunicacionais”, a jornalista e diretora-adjunta de Informação da TVI decidiu mostrar a sua visão acerca das recentes notícias sobre o assédio sexual no meio artístico de Hollywood.

“O produtor cinematográfico Harvey Weinsteiné um grande tonto. É sabido que assediou muitas atrizes para as ter na mão, julgava ele. Umas foram na conversa; outras não. Mas o que também é certo é que essas ‘assediadas’ tinham poder, nomeadamente económico, para dizerem que sim ou que não. Porquê? Porque são das mulheres mais poderosas e ricas da indústria de Hollywood.”

Judite lança dois exemplos para ilustrar os seus argumentos:

“Uma Thurman é uma atriz consagrada. Vale milhões. Ficou grávida de um multimilionário chamado Arpad Busson que, por sua vez, tinha sido casado e pai dos dois filhos da top Elle Macpherson, também conhecida pelo nome ‘o corpo’. Quando ela percebeu o perfil, deu-lhe ordem de marcha. A outra que se queixou do palerma do Weinstein foi a atriz, produtora e realizadora mexicana Salma Hayek, que, por sua vez, ficou grávida de um dos homens mais ricos da indústria da moda, o francês Henri Pinault, dono, entre outras marcas, da Gucci. A Salma Hayek não precisava do Pinault, mas ficou ainda mais multimilionária depois de ter engravidado da sua filha, Valentina. Pergunta-se: porque é que não denunciou as investidas do Weinstein há mais tempo? Mistério. E as outras denunciantes a mesma coisa.”

Concluindo, “o movimento Me Too é isto”, atira Judite, justificando: “À falta de notícias novas sobre o Trump, que todos os dias despede alguém da ala oeste da Casa Branca, surgiu este movimento que leva a mensagens muito intelectualizadas, mas que mais não são do que conversas de travesseiro.” Em três dias, a publicação da jornalista nas redes sociais angariou mais de mil gostos e o apoio de muitos dos seus seguidores, que se manifestaram de acordo com vários comentários. E foi apenas o primeiro desabafo de Judite Sousa acerca do tema controverso, já que dois dias depois a jornalista decidiu voltar a abordar a questão.

“Depois de ter escrito um texto contra a corrente sobre o movimento Me Too, recebi um telefonema dos sítios do costume com uma pergunta extraordinária: ‘Judite, não acha que aquelas mulheres de que fala ficaram com problemas de autoestima?’ Aqui vai o que penso sobre o tema: alguém no seu perfeito juízo pensa que aquelas atrizes lindíssimas têm problemas dessa natureza? E mesmo a Salma Hayek, uma morenaça com 1 metro e 60, que casou no hotel Cipriani, em Veneza, com um dos homens mais ricos do mundo, acusa esse tipo de debilidade? Obviamente que não”, afirma, deixando até uma comparação: “Traumas de autoestima devem ter as operárias do Vale do Ave, que ganham menos do que os homens e são mandadas para casa quando engravidam. Mas este proletariado feminino é ignorado pelo Me Too desta vida. Certo?” A Lux tentou obter uma reação da jornalista acerca do assunto. “Está tudo dito. Novidades em abril”, disse apenas Judite Sousa.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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