Nacional
Domingos Duarte Lima justifica o seu silêncio fazendo uma analogia a Jesus Cristo
Duarte Lima
Redação Lux  com Vanessa Bento em 6 de Novembro de 2010 às 18:02
Numa altura em que as autoridades portuguesas continuam à espera que a segunda carta rogatória chegue a Portugal, por via diplomática, Duarte Lima permanece em silêncio perante todas as notícias que o indicam como possível suspeito na morte de Rosalina Ribeiro. Uma postura justificada no seu blog, através de um texto escrito no passado dia 24 de outubro.

«Quando alguém é atacado e permanece em silêncio, como se nada tivesse sucedido, quem ataca fica ainda mais enraivecido e furioso. Se aquele que é atacado se zanga, os outros compreendem, aceitam, sorriem até. Mas o que não conseguem compreender é o silêncio! Aquele que, sendo atacado, ofendido, vilipendiado, consegue permanecer em silêncio, eleva-se. Torna-se impenetrável», escreveu o advogado.

Numa notória analogia entre a crucificação de Jesus Cristo e o seu julgamento em praça pública nos dias que correm, Domingos Duarte Lima condena a injustiça e crueldade humanas.

«Naquele tempo não havia televisões, não havia rádios, não havia jornais. Mas, paradoxalmente, foi nesse tempo que aconteceu aquela que continua a ser a condenação mais mediática da história humana e que viria a ser, de igual modo, a maior manipulação da opinião pública até hoje conhecida, a ponto de permanecer ao longo de milénios como o exemplo acabado da perfídia, da crueldade humana e da injustiça», sublinha Duarte Lima.

Perante as notícias que têm saído nos vários órgãos de comunicação social sobre o seu alegado envolvimento na morte da cliente, Rosalina Ribeiro, o advogado não esconde a sua revolta, patente no texto que deixou no blog «A Linha do Horizonte».

«E Jesus, chamado o Cristo, permaneceu em silêncio, um estranho silêncio que ninguém então compreendeu. (...) Perante esse silêncio, quem ataca, quem intriga, quem difama, quem manipula, quem calunia, quem crucifica, quem mata ou tenta matar - física ou moralmente - acaba por sentir-se transformado num verme, num réptil, num abutre. E, isso sim, é que fere profundamente. Esta é a lição de Jesus, chamado o Cristo. Depois do silêncio, há sempre espaço para a palavra», concluiu Domingos Duarte Lima no seu blog.

Recorde-se que o antigo líder parlamentar do PSD coordenava desde 2001 a equipa luso-brasileira de advogados de Rosalina Ribeiro, equipa essa que fora criada para disputar a herança de Lúcio Thomé Feteira. No dia em que Rosalina morreu, a 7 de dezembro de 2009, Duarte Lima tinha combinado encontrar- -se com a cliente no Rio de Janeiro, às 20h. O advogado voara propositadamente de Lisboa para Belo Horizonte dois dias antes, tendo feito os restantes quilómetros de carro. No final desse encontro, Duarte Lima terá oferecido boleia a Rosalina Ribeiro até ao centro de Maricá, onde esta se iria encontrar com Gisele, uma possível interessada na compra da sua posição na herança. Duarte Lima afirma que deixou a companheira de Feteira à entrada do Hotel Jangada às 22h. Um quarto de hora depois, a septuagenária estava morta.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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