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Desvalorizar depressão nos idosos pode levar ao suicídio
Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Associação Cérebro & Mente Foto: D.R.
Redação Lux em 10 de Setembro de 2017 às 13:19

Artigo de Opinião de Joaquim Cerejeira, psiquiatra e presidente da Associação Cérebro & Mente

A depressão é uma doença mental que afeta mais de 350 milhões de pessoas e é uma das principais causas de suicídio. Estima-se que em cada 100 casos de depressão, no mundo, 15 cometem suicídio. A depressão e o suicídio resultam de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.

Apesar de a maioria das pessoas com risco de suicídio apresentar algum transtorno mental, a maior não procura ajuda. As pessoas com idade mais avançada negam muito frequentemente ter sintomas de depressão (como perda de apetite, falta de interesse, energia e motivação para fazer atividades sociais, ansiedade, sentimento de inutilidade, perturbações frequentes do sono, sintomas de culpa e baixa autoestima) o que dificulta o diagnóstico da doença. Por outro lado, a semelhança entre os sintomas de depressão com os de demência conduz, muitas vezes, a um diagnóstico tardio.

O papel dos familiares e amigos é por isso fundamental para auxiliar numa deteção atempada dos sintomas desta doença, encaminhando a pessoa para o profissional de saúde, o que pode ajudar a evitar uma tentativa de suicídio ou mesmo um desfecho fatal.  Vários estudos têm demonstrado que o afeto e proximidade entre as pessoas diminui o risco de comportamentos suicidas.

Na população mais sénior, os programas de prevenção da depressão têm demonstrado ser eficazes, recorrendo a uma combinação entre acompanhamento psiquiátrico (como ativação comportamental, terapia cognitivo-comportamental e psicoterapia interpessoal) e programas de exercícios e estimulação de uma vida ativa.

Com o tratamento adequado, a pessoa deprimida pode recuperar a satisfação com a vida e o nível de independência nas atividades básicas da vida diária. Desta forma, o suicídio pode ser prevenido.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que anualmente morrem mais de 800 mil pessoas por suicídio (o equivalente a uma pessoa a cada 40 segundos). A maior parte das pessoas que cometem suicídio apresentam uma doença mental diagnosticável como, por exemplo, depressão, transtorno da personalidade, alcoolismo ou esquizofrenia.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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