Nacional
Nair Coelho em 30 de Setembro de 2016 às 08:00
Bárbara Guimarães recorda agressões em tribunal: “Ele agarrava-me nos braços, encostava-me à parede e dançava com as pernas"
1/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux
2/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux
3/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux
4/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux
5/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux
6/6 - Audiência Bárbara Guimarães/Manuel Maria Carrilho 16-09-16 Foto: João Cabral/Lux

"Foi difícil recuperar a alegria de viver. Um trampolim para isso foi ele [Manuel Maria Carrilho] já não estar em casa. Tive de me aguentar por causa dos meus  filhos... Enquanto tudo isto não terminar vai ser difícil recuperar a alegria a 100%. É difícil ultrapassar isto. Ainda não recuperei o meu trabalho...”

Foi assim, e fazendo referência à entrada de Kiki Neves na vida da apresentadora, no ano de 2015, que terminou a última sessão do processo de violência doméstica, que opõe a apresentadora e Manuel Maria Carrilho. De manhã, também no Campus de Justiça, teve início o novo processo no qual Manuel Maria Carrilho é acusado de cerca de 24 crimes, entre eles, de violência, difamação, injúria e ameaça, e que o opõe a Bárbara Guimarães, Kiki Neves e dois amigos da apresentadora.

Nessa sessão, a apresentadora descreveu as “difíceis” entregas dos filhos, Dinis Maria e Carlota, depois de passarem o fim de semana com o pai, as ofensas que sofreu em público, muitas delas ocorridas no colégio frequentado pelas crianças, e a manhã em que o ex-marido entrou em sua casa, ajudado pelo filho, quando ela e o namorado estavam a dormir.

“Lembro-me de acordar com barulhos e descer a correr e ver o meu ex-marido ao telefone. ‘Saia aqui de casa!’, disse-lhe. O Dinis estava ali, a Carlota estava no quarto, a dormir.” E continuou: “Ele agarrou-me nos braços, encostou-me à parede e deu-me uma joelhada. O Kiki ouviu os gritos e desceu, pegou-o pelo peito e levou-o para a porta da rua.”

Durante o tempo em que lá esteve, Manuel Maria Carrilho terá lido mensagens e tirado números de telefone do telemóvel da ex-mulher.

“O Kiki [identificado na lista de contactos como Kate] começou pouco depois a receber mensagens com ameaças”, contou ela.

 

Questionada pelo advogado do ex-marido, avança que, quando desceu do sotão, estava “em camisa de noite curta e descalça” e que o namorado, que estaria “de boxers e t-shirt” terá vestido “umas calças” e descido descalço também.

Sobre o episódio, Manuel Maria Carrilho garante que as imagens da videovigilância, que servem como prova da acusação, foram “manipuladas” e que a audiência foi “o desabar de uma pirâmide de falsidades e mentiras”.

“Vou contando as mentiras, neste momento já ultrapassei as 50 mentiras. A única coisa que me custa é ouvir tanta mentira a envolver os nossos filhos”, adiantou. 

Agendadas as próximas audiências, nas quais vão ser ouvidas as testemunhas notificadas, as sessões dos dias 16 e 20 de 
setembro continuaram com a apresentadora a ser interrogada pelo advogado do ex-ministro.

Com uma firmeza que conseguiu abalar emocionalmente a apresentadora, Paulo Sá e Cunha voltou a questionar Bárbara sobre alguns dos assuntos que já tinham sido falados em audiências anteriores. Um deles, que é determinante para a resolução do processo, prende-se com as fotografias das alegadas agressões de Carrilho a Bárbara. Os planos fechados das lesões, sem que em alguma delas surja o rosto da apresentadora, não constituem prova suficientemente forte. Referindo-se ao dia 14 de outubro de 2013, aquele que terá sido o último dia de Bárbara e Carrilho enquanto casal, o advogado de Carrilho pergunta:

“Essas agressões eram a sua sorte grande! Tinha ali a prova cabal. Porque é que não foi ao Instituto de Medicina Legal ou ao hospital?”

Afirmando que “achava mais importante sobreviver”, Bárbara Guimarães justifica:

“Pensei que estas fotografias fossem suficientes. O meu objetivo era que ele não voltasse a entrar em casa. Pelo menos não me voltou a tocar. (...) Não estava sequer à espera de as usar, não sabia que era preciso aparecer o rosto... Não sabia como se processava. Agora já sei.” E, entre lágrimas, rematou: “Foram dias tão turbulentos...”

Decidida a conseguir o divórcio, Bárbara Guimarães avança que tudo fez para que as coisas se resolvessem de forma pacífica, no intuito de se proteger e, sobretudo, proteger os filhos. E por isso, quando contou aos pais que era vítima de violência doméstica pediu-lhes discrição:

“Pedi ao meu pai e à minha mãe: Eu vou tratar disto tudo, é preciso não o irritar. [As ameaças] eram com o intuito de que eu não avançasse com o divórcio. A minha mãe ficou perturbadíssima, tentei sossegá-la.” E porque, já depois das alegadas agressões, estiveram todos juntos na quinta do ex-deputado, em Viseu, o advogado de Carrilho quis saber como foram esses dias, ou seja, de que forma convive um pai com o alegado agressor da filha? “O meu pai ficou a observar. Foi frio com ele... As relações entre os meus pais e o meu ex-marido deixaram de existir. A minha mãe teve a noção de que o que ele queria era atingir-me, para que tudo ficasse como estava.”

Sobre as ocasiões em que o ex-marido a terá agredido fisicamente, Bárbara Guimarães recordou o dia em que Manuel Maria Carrilho a fotografou, nua, no banho, e a seguir a agrediu num pé.

“Senti-me violada em casa. É uma total falta de respeito, é muito grave... Senti isto como uma violação da minha intimidade.”

De seguida, emocionada, a estrela da SIC explicou porque não conseguia reagir:

“Ele agarrava-me nos braços, encostava-me à parede e dançava com as pernas. Parecia aço, não consigo explicar porque não conseguia defender-me. Era tudo tão rápido e tão difícil de sair dessa situação... Não conseguia reagir às agressões, era quase como sentir um adormecimento.”

 

Pouco depois, quando Bárbara Guimarães pede à juíza Joana Ferrer para fazer uma pausa e sair da sala, Manuel Maria Carrilho olha para trás, onde estão sentados os jornalistas, e diz “está com outra cólica”, fazendo referência ao motivo que obrigou a ex-mulher a faltar à audiência anterior.  

Em tribunal, Bárbara Guimarães contou, pela primeira vez, o momento em que revelou aos filhos que ela e o pai se iam separar.

“Quando o meu ex-marido foi para Paris e troquei a fechadura de casa, disse ao Dinis que o pai ia ficar mais uns dias por lá. Ele não demonstrou surpresa. Eu estava à espera de mais perguntas ou alguma revolta, mas não, senti-o tranquilo”.

E, segundo ela, terá sido o filho mais velho a ajudá-la a contar a Carlota o que se passava.

“Foi ele que me ajudou. Disse à irmã: ‘Carlota, temos uma coisa para te dizer. O pai e a mãe vão separar-se’. Ela era miúda, não reagiu, só perguntou se podia ir brincar”.

Mas apesar da tenra idade, Carlota terá ficado marcada com algumas situações que presenciou.

“Se ouve barulhos sobe logo para o colo de alguém. Isto deixou-lhe traumas de certeza absoluta.”

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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