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A importância da alimentação para doentes com cancro
Adriana Terrádez, diretora da OncoDNA para Espanha e Portugal, e impulsionadora da Oncología Personalizada
Redação Lux em 3 de Abril de 2018 às 17:39

Artigo elaborado por Adriana Terrádez, diretora da OncoDNA para Espanha e Portugal,  e impulsionadora da Oncología Personalizada

É muito frequente depararmo-nos com casos de doentes oncologógicos em estado de desnutrição, uma realidade que afeta negativamente a superação do proceso patológico. Para o doente não é fácil fazer uma dieta equilibrada, necessária para que o tratamento seja mais eficaz, para que o organismo tenha mais força para lutar contra a doença e para manter uma melhor qualidade de vida numa altura de especial debilidade.O doente encontra-se com vários problemas que o impedem de conseguir este objetivo, por um lado devido às terapias que recebe e por outro devido ao próprio tumor. Os fortes tratamentos a que se vê submetido, como a quimioterapia, provocam náuseas, falta de apetite e mudanças substanciais na perceção dos odores e texturas.

O tumor exerce também sobre o organismo alterações digestivas e metabólicas. Tudo isso sem contar com os fatores físicos derivados da doença que impedem a mastigação e a deglutição, e a pressão psicológica, muito negativa, que um processo como este exerce sobre a pessoa e que muitas vezes tira a vontade de comer.

Tendo em conta todos estes fatores, o doente oncológico deve estar consciente dos benefícios que pode ter para si mesmo uma correta alimentação: evitaria a perda de massa muscular e, em consequência, teria a força necessária para ser autónomo. Melhoraria também a resposta à quimioterapia, à radioterapia e a sua tolerabilidade.

Além disso, os mecanismos de cura não seriam alterados, reduzindo o risco de complicações cirúrgicas, caso o doente tivesse que passar pelo bloco operatório. Em suma, uma boa dieta ajuda a alcançar melhores resultados no tratamento do cancro.

Alguns conselhos:

Especialistas em nutrição e oncologistas recomendam seguir uma série de diretrizes dietéticas específicas para cobrir todas as necessidades do corpo, melhorar sua tolerabilidade e evitar a rejeição do organismo:

  • Mais refeições durante o dia: É melhor fazer refeições pequenas e variadas ao longo do dia do que as três refeições pesadas. O ideal seria cerca de cinco refeições, embora, se o doente não tiver muito apetite, possa aumentar para sete ou oito. Melhor será com horários pré-definidos que ajudem a regular o trânsito intestinal e servir a comida morna ou fria para evitar odores que produzam náuseas ou desconfortos no doente.

 

  • Os pratos mais adequados: Nestas oito refeições é aconselhável comer de maneira variada alimentos leves, sem gordura e pouco flatulentos, com azeite de baixa acidez (0, 2º), assados, cozidos ou cozidos no vapor.

    Por exemplo, verduras suaves (feijão verde tenro, abobrinha, cenoura, abóbora); presunto serrano sem gordura; peixe branco e frutos do mar; clara de ovo bem cozida; carboidratos, como batatas, arroz, macarrão e torradas; produtos lácteos desnatados, especialmente iogurte; frutas doces em compota (maçã, marmelo, pera).

 

  • Uma correta hidratação: Muito importante, especialmente naqueles doentes tratados com quimioterapia, para evitar parte da sua toxicidade. Recomenda-se a ingestão de algumas das frutas e legumes previamente indicados, infusões liquefeitas e relaxantes, como tília, erva-cidreira e caldos de vegetais. E a água, melhor engarrafada.

 

  • O que não devemos comer: É importante evitar alimentos crus ou parcialmente cozidos, cozidos na grelha ou fritos. Também bebidas estimulantes: café, álcool, chá, hortelã, camomila ... Alimentos mais pesados, como os ricos em gorduras (leite, margarina, natas), terão um impacto muito negativo; carnes vermelhas (carne de vaca, porco, cordeiro, salsichas, patés); frutas e vegetais ácidos (tomate, frutas cítricas, morango, kiwi) ou aqueles alimentos que geram mais gases (legumes, repolho, couve-flor, brócolos, alcachofra).

 

  • O apoio do nutricionista: Tendo em conta que cada caso de cancro é diferente e os tratamentos podem gerar efeitos diferentes dependendo da pessoa, é muito positivo ter o conselho de um nutricionista especializado, de preferência coordenado com o oncologista, que pode orientar tanto o doente quanto os seus cuidadores para ter uma dieta saudável adaptada às suas necessidades.

 

 

 

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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