Nacional
Psicólogo Eduardo Sá alerta: 'nem a família é uma escola nem os pais são professores'
"Um estranho no coração" e a estreia de Eduardo Sá na escrita de romance
Redação Lux em 16 de Abril de 2020 às 08:46

Eduardo Sá comentou a nova realidade da telescola face à pandemia Covid-19. Na sua página do instagram, o psicólogo clínico evidencia que esta, que é "a única solução possível", não pode ser transformada "num período normal de aulas".

"Há escolas que pretendem, desde já, que os nossos filhos tenham aulas diárias das 9 às 5. E isso não é razoável! Um esforço desmedido - com as crianças fechadas em casa há tempo demais, a tentarem aprender sozinhas no quarto ou sentadas na sala, com a presença física dos seus pais a tutelá-las o tempo todo (estando, eles, também, a trabalhar) tendo, para mais, esta nova “telescola” a garantir um suplemento de ensino à distância - pode dar lugar a excessos", alerta o profissional.

"Nem a família é uma escola nem os pais são professores", remata  Eduardo Sá.

Os nossos filhos não estão de férias; mas também não estão nas aulas. Os próximos meses não serão, sobretudo, de “estudo acompanhado”. Como aquilo que temos para lhes dar não será, exactamente, ensino doméstico. A quarentena é um período tão híbrido de experiências e exige de todos um esforço tão grande que, já na terça-feira, vai dar origem a uma nova “telescola”. Que, não sendo a solução “ideal” para responder ao confinamento a que os estudantes estão obrigados, será a (única) solução possível para que, em tempo recorde, eles não estejam sem “ir à escola” entre Março e Setembro.

Mas não percam de vista que os nossos filhos na escola e os nossos filhos em casa não são, em circunstâncias normais, sempre “as mesmas crianças”. E que os nossos filhos antes, durante e a seguir à quarentena não serão, seguramente, iguais. Portanto, não lhes exijam aquilo que exigiriam em circunstâncias normais. Não transformem, por favor, a quarentena num período normal de aulas! Nem percam de vista que há escolas que pretendem, desde já, que os nossos filhos tenham aulas diárias das 9 às 5. E isso não é razoável! Um esforço desmedido - com as crianças fechadas em casa há tempo demais, a tentarem aprender sozinhas no quarto ou sentadas na sala, com a presença física dos seus pais a tutelá-las o tempo todo (estando, eles, também, a trabalhar) tendo, para mais, esta nova “telescola” a garantir um suplemento de ensino à distância - pode dar lugar a excessos. Ou seja, esta quarentena, nalguns casos, pode traduzir-se em mais aulas, ainda, do que os nossos filhos já, antes, teriam. Tendo as mesmas explicações do costume. E mais trabalhos de casa. Tudo isto numa conjuntura muito difícil para todos. Que, feitas as contas, pode não representar os ganhos que desejaríamos. Esta conjuntura obriga-nos a aceitar que nem a família é uma escola nem os pais são professores. E será muito menos uma “escola”, na balbúrdia em que, contra a vontade de todos, se transformaram muitas salas deste país...

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Os nossos filhos não estão de férias; mas também não estão nas aulas. Os próximos meses não serão, sobretudo, de “estudo acompanhado”. Como aquilo que temos para lhes dar não será, exactamente, ensino doméstico. A quarentena é um período tão híbrido de experiências e exige de todos um esforço tão grande que, já na terça-feira, vai dar origem a uma nova “telescola”. Que, não sendo a solução “ideal” para responder ao confinamento a que os estudantes estão obrigados, será a (única) solução possível para que, em tempo recorde, eles não estejam sem “ir à escola” entre Março e Setembro. Mas não percam de vista que os nossos filhos na escola e os nossos filhos em casa não são, em circunstâncias normais, sempre “as mesmas crianças”. E que os nossos filhos antes, durante e a seguir à quarentena não serão, seguramente, iguais. Portanto, não lhes exijam aquilo que exigiriam em circunstâncias normais. Não transformem, por favor, a quarentena num período normal de aulas! Nem percam de vista que há escolas que pretendem, desde já, que os nossos filhos tenham aulas diárias das 9 às 5. E isso não é razoável! Um esforço desmedido - com as crianças fechadas em casa há tempo demais, a tentarem aprender sozinhas no quarto ou sentadas na sala, com a presença física dos seus pais a tutelá-las o tempo todo (estando, eles, também, a trabalhar) tendo, para mais, esta nova “telescola” a garantir um suplemento de ensino à distância - pode dar lugar a excessos. Ou seja, esta quarentena, nalguns casos, pode traduzir-se em mais aulas, ainda, do que os nossos filhos já, antes, teriam. Tendo as mesmas explicações do costume. E mais trabalhos de casa. Tudo isto numa conjuntura muito difícil para todos. Que, feitas as contas, pode não representar os ganhos que desejaríamos. Esta conjuntura obriga-nos a aceitar que nem a família é uma escola nem os pais são professores. E será muito menos uma “escola”, na balbúrdia em que, contra a vontade de todos, se transformaram muitas salas deste país...

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Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico
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